No Iraque, Bush diz que guerra continua e jornalista atira sapato

Defendendo a invasão em Bagdá, presidente americano desviou do objeto e repórter foi expulso de coletiva

Agências internacionais,

14 de dezembro de 2008 | 16h43

Em visita surpresa a Bagdá neste domingo, 14, o presidente americano W. Bush defendeu a invasão ao país árabe e disse que a guerra "ainda não acabou". Há apenas 37 dias de entregar a Casa Branca ao presidente eleito Barack Obama, o chefe de Estado afirmou que "a guerra foi difícil, mas necessária para proteger os EUA e dar ao Iraque a esperança de um futuro pacífico". Como em ocasiões anteriores, protestos não faltaram: durante uma entrevista coletiva, um jornalista iraquiano atirou seus sapatos contra Bush e o chamou de "cachorro". O repórter foi expulso do local e o presidente americano, que desviou dos objetos, brincou com o episódio e voltou a responder as questões dos repórteres.  Veja também:NYT: EUA 'maquiaram' reconstrução do Iraque Assista ao vídeo da Associated Press  Bush chegou nesta manhã de helicóptero no palácio presidencial para conversas com o presidente Jalal Talabani e seus dois vice-presidentes. O primeiro-ministro iraquiano, Nouri al-Maliki disse que seu país está tendo progressos em várias questões. Os dois líderes participaram de uma cerimônia simbólica de assinatura de um novo pacto de segurança entre EUA e Iraque, que foi definido pelo presidente americano como um acordo que trará "forte solidificação" para o futuro de Bagdá.  Este acordo de segurança bilateral que estipula que as tropas americanas deixem o Iraque até o fim de 2011. O conselheiro nacional de segurança de Bush, Stephen Hadley, disse que a viagem "mostra que estamos caminhando para uma relação diferente, com os iraquianos corretamente exercendo mais soberania e nós, num papel cada vez mais subordinado."  O secretário da Defesa americano, que visitou o Iraque no sábado, também sem prévio aviso, disse às tropas dos EUA que "as forças americanas no Iraque entraram na última etapa do compromisso adquirido por Washington a respeito do Iraque". Gates acrescentou que o plano apresentado por Barack Obama de retirar as tropas do Iraque em 16 meses não significa que acontecerá de maneira "irresponsável."  A primeira viagem de Bush ao Iraque aconteceu em novembro de 2003, poucos meses depois da invasão liderada pelos Estados Unidos, que começou em março daquele ano. Bush voltou ao Iraque em 2006 e em 2007, ano em que chegou à província ocidental de Al-Anbar e onde se reuniu com os líderes tribais que combatem junto com o governo e as tropas americanas a rede terrorista Al-Qaeda. Justificativa Na sexta-feira, Bush disse que, apesar do fato do ditador iraquiano Saddam Hussein não ter tido ligação com os ataques terroristas de 11 de setembro contra os EUA, a decisão de derrubá-lo não pode ser vista fora do contexto dos ataques.  "Num mundo onde terroristas armados apenas com estiletes conseguiram matar quase 3 mil pessoas, os Estados Unidos tiveram de decidir se poderíamos tolerar um inimigo que agia deliberadamente, que apoiava o terrorismo e que agências de inteligência ao redor do mundo acreditavam ter armas de destruição em massa", disse Bush, referindo-se a relatórios de inteligência que, depois, provaram-se falsos.  A breve deste domingo visita pode ser um marketing dos ganhos em termos de segurança, mas também mostra o peso da decisão pela guerra no legado do presidente republicano. A guerra do Iraque deixou de ser a maior preocupação dos americanos, com o avanço da recessão econômica, mas pesquisas mostram que a maioria das pessoas considera a guerra um erro. 

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