No Iraque, Gates discute segurança e venda de armas

Secretário de Defesa faz visita surpresa ao país e ainda deve debater reconciliação entre curdos e árabes

28 de julho de 2009 | 08h28

O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Robert Gates, fez nesta terça-feira, 28, uma visita surpresa ao Iraque para discutir assuntos de segurança e venda de armas, enquanto os dois países se preparam para uma retirada gradual das tropas americanas prevista para o final de 2011. Gates também tentará conciliar as divergências entre curdos e árabes, potencial causa para retrocessos na questão da segurança, segundo uma importante fonte de defesa dos EUA.

 

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Em sua décima visita ao Iraque como secretário, Gates disse a soldados na base aérea de Tallil, sob um calor de 46ºC, que estava impressionado com as mudanças no país. De acordo com ele, a situação é "incrivelmente diferente" de quando ele fez a primeira visita, em dezembro de 2006, no auge da violência sectária entre xiitas e sunitas.

 

O secretário de Defesa chegou à capital iraquiana procedente de Amã, onde fez nesta segunda-feira uma visita oficial dentro de uma viagem pela região. Previamente, Gates tinha viajado a Israel, onde se reuniu com o ministro da Defesa israelense, Ehud Barak. A viagem de Gates coincide com a passagem do enviado especial da Casa Branca para o Oriente Médio, George Mitchell, por vários países da área, dentro de uma ofensiva dos EUA para retomar o processo de paz na região.

 

Gates deve se reunir com o primeiro-ministro iraquiano, Nouri al-Maliki, e o ministro de Defesa do país, Abdel Wader Jasim. Um dos assuntos que deve ser discutido é o interesse de Bagdá em adquirir aviões de combate F-16 da empresa Lockheed Martin para enfrentar as possíveis ameaças de nações vizinhas quando as tropas americanas tiverem deixado totalmente o país.

 

Gates espera obter progressos a partir das conversas mantidas em Washington entre Maliki e o presidente Barack Obama, no sentido de buscar uma "relação normal", como qualificam ambos os países. Isso inclui um bilionário gasto iraquiano em armas. Bagdá pretende adquirir 18 caças F-16 neste ano, chegando a 96 até 2020, disse em março à Reuters o brigadeiro Anwar Ahmed, comandante da Força Aérea iraquiana. Na época, ele citou preocupações com os vizinhos Irã e Síria.

 

O Congresso dos EUA já foi informado sobre possíveis vendas de armas ao Iraque no valor de cerca de 9 bilhões de dólares. Além dos caças, estariam sendo negociados um tanque M1A1 da General Dynamics Corp., helicópteros armados da Boeing ou Textron, e um cargueiro C-130J da Lockheed. França, China e Rússia já venderam armas ao Iraque no passado. Qader disse na semana passada a funcionários do Pentágono que Bagdá está negociando a compra de caças também com "outras pessoas". Os EUA pretendem retirar suas forças de combate do Iraque até agosto de 2010. No final de junho, as tropas de combate já se retiraram das suas bases urbanas.

 

O chefe do Pentágono visitará também a região do Curdistão, que funciona de forma autônoma e onde as autoridades parecem se distanciar do governo central de Bagdá nas tensas negociações sobre terras disputadas e petróleo. Gates visitará Arbil, capital da região, onde espera se encontrar com responsáveis curdos, entre eles o presidente do Curdistão iraquiano, Masoud Barzani, que assinou vários acordos com empresas petrolíferas estrangeiras que o ministro do Petróleo iraquiano, Hussein al Shahristani, considerou ilegais. Os curdos reclamam o controle de zonas petrolíferas de Kirkuk e as reservas de hidrocarbonetos da região.

 

 

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