No Líbano, Ahmadinejad diz que 'sionistas são mortais'

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, elogiou nesta quinta-feira a resistência do Líbano contra Israel e declarou que os "sionistas são mortais", em um discurso proferido perto da fronteira com o norte de Israel.

YARA BAYOUMY, REUTERS

14 de outubro de 2010 | 17h40

Falando a milhares de simpatizantes do Hezbollah em Bint Jbeil, palco de um confronto atroz entre o grupo militante que tem o apoio do Irã e soldados israelenses em 2006, Ahmadinejad disse que a cidade é um símbolo da resistência a Israel.

"O mundo deveria saber que os sionistas são mortais...hoje a nação libanesa está viva e é um modelo para os países da região", afirmou o presidente iraniano.

O Ministério de Relações Exteriores de Israel disse que Ahmadinejad, que já pediu a eliminação de Israel do mapa, estava difundindo uma mensagem de violência e extremismo e "transformando o Líbano em uma plataforma para seus planos agressivos contra Israel".

Bint Jbeil fica a apenas 4 quilômetros da fronteira e uma rede de TV israelense afirmou que os ecos da cerimônia de recepção a Ahmadinejad podiam ser ouvidos no lado israelense minutos antes de sua chegada.

A cidade foi fortemente bombardeada no conflito de 34 dias ocorrido quatro anos atrás e a maioria das casas ao redor do estádio onde Ahmadinejad discursou foi reconstruída depois do confronto.

"Eu anuncio que Bint Jbeil está viva e está de pé. O mundo deveria saber que Bint Jbeil está orgulhosa e resistirá contra os inimigos até o fim", disse Ahmadinejad.

RESPOSTA DE ISRAEL

Em uma decisão simbólica, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, respondeu a Ahmadinejad do local onde o primeiro premiê de Israel, David Ben-Gurion, declarou a criação do Estado judeu, em 1948, em Tel Aviv.

"Ouvimos hoje a blasfêmia e a linguagem de desprezo que vieram da fronteira do Líbano", disse Netanyahu. "Continuaremos a construir nosso país e saberemos muito bem como protegê-lo".

Os Estados Unidos afirmaram que a visita de Ahmadinejad ao Líbano mostrou que ele prossegue com seus "modos provocativos".

Washington quer isolar o Irã por causa de seu programa nucelar e afirma que o apoio iraniano aos militantes do Hezbollah enfraquece a soberania libanesa.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores de Israel, Yigal Palmor, afirmou que Ahmadinejad levou uma mensagem de "violência e extremismo".

"É um acontecimento muito preocupante ele transformar o Líbano em uma plataforma para seus planos agressivos contra Israel e contra outros países na região", afirmou Palmor.

(Reportagem adicional de Parisa Hafezi, em Teerã, e Joseph Nasr, em Jerusalém)

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