Asmaa Waguih/Reuters
Asmaa Waguih/Reuters

Nova coalizão de oposição da Síria busca reconhecimento

A Rússia pediu que o grupo negociasse e rejeitasse interferência externa, mas disse que manterá contato com Damasco

Reuters

12 de novembro de 2012 | 12h44

DOHA - A nova liderança da oposição da Síria, criada sob pressão árabe e ocidental, partiu nesta segunda-feira, 12, em busca de reconhecimento e maior apoio à luta para derrubar o presidente Bashar Assad e assumir o país. O clérigo reformista de Damasco Mouaz al-Khatib voou para o Cairo em busca da bênção da Liga Árabe para a nova formação que, por unanimidade, o elegeu como seu líder no domingo.

"O primeiro passo para o reconhecimento acontecerá na Liga Árabe", disse ele em entrevista coletiva. A oposição, então, buscará o endosso de inimigos árabes e ocidentais de Assad, conhecidos como os "Amigos da Síria", e da Assembleia-Geral da ONU.

A Rússia, que junto com a China tem frustrado a ação das Nações Unidas sobre a Síria e vê os oponentes de Assad como escravos do Ocidente, pediu que a nova coalizão negociasse e rejeitasse interferência externa. O porta-voz do Ministério de Relações Exteriores Alexander Lukashevich disse que Moscou iria manter contato com Damasco e "todo o espectro de forças de oposição" e promover uma abordagem construtiva.

Em Pequim, o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores Hong Lei não respondeu diretamente quando perguntado se a China reconheceu a coalizão de oposição. Em vez disso, ele convocou todas as partes a iniciar "um processo de transição política orientada pelo povo sírio".

Egito, Arábia Saudita e mais membros da Liga Árabe querem a saída de Assad, embora alguns, como o Iraque, Líbano e Argélia, assumam uma postura mais neutra na Síria, onde a violência continua.

Ataques

Jatos e helicópteros sírios atacaram a cidade de Ras al-Ain, controlada pelos rebeldes, com algumas bombas pousando a poucos metros da fronteira com a Turquia, enviando dezenas de civis em fuga para a Turquia. Um repórter da Reuters contou que um avião de guerra passou voando pela fronteira e parecia sobrevoá-la em determinado momento, enquanto bombas enviavam plumas de fumaça negra.

O Observatório Sírio para os Direitos Humanos disse que 12 pessoas, incluindo sete militantes islâmicos, foram mortos nos ataques aéreos sobre Ras al-Ain, que sucumbiu aos rebeldes na quinta-feira durante um avanço no nordeste sírio de composição árabe e curda. O Observatório, um grupo pró-oposição que monitora a violência a partir da Grã-Bretanha, informou que 140 pessoas foram mortas na Síria no domingo.

Outro grupo de oposição estabeleceu o número de mortos em 16. Mais de 38.000 pessoas morreram desde março do ano passado, quando teve início a revolta contra Assad.

A Turquia, cujas preocupações de segurança da fronteira foram intensificadas pelo súbito ingresso de 9.000 refugiados em 24 horas na semana passada, consultou seus aliados da Otan sobre a possibilidade de implantação de mísseis superfície-ar Patriot para deter a força aérea da Síria. Tal movimento poderia ser um prelúdio para impor uma zona de exclusão aérea na Síria, embora as potências ocidentais não tenham chegado nesse ponto nas discussões.

Riad Seif, um dissidente sírio respeitado que propôs o novo corpo de oposição, disse que essa intervenção militar era necessária. "Nós vamos nos proteger com armas desenvolvidas e redes de mísseis de defesa", disse ele, citando o que afirmou ser uma promessa dos Amigos da Síria de fornecer "métodos" para combater bombardeios e ataques aéreos por forças de Assad.

O chefe da Otan, Anders Fogh Rasmussen, disse que a aliança iria "fazer o que for preciso para defender a Turquia", sem se referir especificamente a mísseis Patriot. "Temos todos os planos definidos para assegurar que possamos proteger e defender a Turquia e, esperamos, assim também deter (a força) para que ataques à Turquia não aconteçam", afirmou ele em Praga.

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