Nova usina do Irã está perto de base militar para caso de ataque

Vice-presidente iraniano deixou claro que local de instalação do complexo foi escolhido de propósito

Associated Press e Efe,

29 de setembro de 2009 | 12h19

O chefe da Agência de Energia Atômica e vice-presidente do Irã, Ali Akbar Salehi, disse nesta terça-feira, 29, que seu país construiu a recém revelada usina de enriquecimento de urânio abaixo de uma montanha e próxima de uma base militar par assegurar a continuidade das atividades nucleares no caso de um ataque.

 

Salehi afirmou que o complexo, localizado próximo à cidade sagrada de Qom, fica perto de um depósito de munição controlado pela Guarda Revolucionária, a tropa mais poderosa do Irã. O vice de Ahmadinejad ainda disse que a única ligação entre a usina e a Guarda é que as forças de segurança protegeriam o complexo contra possíveis ataques.

 

"A usina está na base de uma montanha e o local foi escolhido de propósito para protegê-la de um ataque aéreo. Por isso que fica próxima a uma base militar", disse Salehi em uma entrevista coletiva. "A intenção era salvaguardar nossas usinas e reduzir os custos de nosso sistema ativo de defesa. Se tivéssemos escolhido outro lugar, teríamos que montar uma nova base militar", argumentou.

 

Detalhes sobre o recém descoberto complexo e o fato de que o Irã manteve sua construção sob sigilo durante anos aumentaram as suspeitas do Ocidente sobre as finalidades militares do programa nuclear iraniano, embora as autoridades islâmicas aleguem que a atividade nuclear no país tem fins pacíficos de produção de energia elétrica.

 

O vice-presidente disse que o local para a instalação da usina foi escolhido após um cuidadoso estudo das autoridades e estará aberto às inspeções da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) da ONU. Segundo Salehi, o complexo será aberto para uma visita da delegação das Nações Unidas em breve.

 

Segundo Salehi, o local da usina fica 100 quilômetros ao sul da capital Teerã, na estrada que vai para Qom. Uma imagem feita em setembro por satélites da DigitalGlobe e da GeoEye mostra um complexo fortificado construído em uma montanha a cerca de 35 quilômetros ao nordeste de Qom, com saídas de ventilação e um campo de lançamento de mísseis nas proximidades.

 

A GlobalSecurity.org analisou imagens do local entre 2005 e janeiro de 2009, quando a usina estava em fase de construção, e acredita que ela não esteja abaixo do solo da montanha, mas que penetre na estrutura geológica. O complexo foi construído de concreto reforçado e tem o tamanho de um campo de futebol, suficiente para abrigar 3 mil centrífugas de enriquecimento de urânio.

 

Teste

 

A Marinha iraniana testou também nesta terça, "com sucesso", uma embarcação de guerra "de fabricação nacional" equipada com plataformas de lançamento de mísseis, informou a imprensa local.

 

Os testes com o novo navio, batizado de Sina, foram feitos diante do ministro da Defesa, Ahmad Vahidi, e do almirante-chefe da Marinha, Habibolah Sayari, informou a agência de notícias semioficial Isna. Segundo a fonte, a embarcação é equipada com mais de cem radares, modernos sistemas de navegação, equipamentos eletrônicos e sistemas de telecomunicações.

 

Apesar de enfrentar um embargo internacional de armamentos desde a guerra com o Iraque, nos anos 1980, o Irã, na década seguinte, conseguiu desenvolver um programa bélico próprio.

 

Esta semana, a Guarda Revolucionária, fez uma demonstração de força com o lançamento de vários mísseis de médio alcance, aparentemente capazes de voar e atingir alvos a mais de 2 mil quilômetros de distância.

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