Nova usina iraniana é apropriada para uso militar, dizem EUA

Tamanho é incompatível para produção de energia , mas é suficiente para enriquecer urânio para fins militares

Efe e Reuters,

25 de setembro de 2009 | 13h03

A segunda usina nuclear iraniana, cuja existência veio a público nesta sexta-feira, 25, tem o perfil de uma planta militar, disse uma fonte do governo americano.

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A usina, que é menor do que a de Natanz, está escondida dentro de uma montanha nos arredores da cidade sagrada de Qom, a cerca de 100 km de Teerã. Por ser pequena, o tamanho dela é incompatível para a produção de energia nuclear em larga escala, mas é suficiente para enriquecer urânio para fins militares.

Ainda de acordo com representantes do governo americano, a usina ainda não é operacional, mas já conta com 3 mil centrífugas de urânio. Ela pode entrar em funcionamento em alguns meses.

"Os EUA têm observado e analisado a instalação há vários anos. Ela é muito pequena para produzir combustível para um reator. Usinas nucleares precisam de muito mais que 3 mil centrífugas para isso", disse a fonte.

Em pronunciamento nesta manhã ao lado do presidente francês, Nicolas Sarkozy, e do premiê britânico, Gordon Brown, Obama acusou o Irã de esconder a existência da usina da comunidade internacional.

O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, rebateu e disse que seu país não é obrigado a dar detalhes de seu programa nuclear para os EUA. O governo de Teerã informou à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) a existência da usina no começo desta semana e negou que ela fosse secreta.

Embora as informações obtidas pelos serviços secretos de EUA, França e Reino Unido sejam de natureza "muito delicada", os três países decidiram compartilhar a maior quantidade possível de dados com as nações envolvidas nas negociações sobre o programa nuclear iraniano.

"Achamos que informar que o Irã está violando seus compromissos internacionais ajudaria os esforços diplomáticos", explicou o alto funcionário.

Segundo ele, essa estratégia "já começou a dar resultados", como a mudança de posição do presidente russo, Dmitri Medvedev, que, em reunião com Obama na quarta-feira, disse que "as sanções raramente" funcionam, "mas, em alguns casos, são inevitáveis".

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