Novas denúncias ressaltam abusos de tropas de Israel em Gaza

Menino de 11 anos teria sido usado como escudo por soldados; militares atacaram equipes médicas em ofensiva

Agências internacionais,

23 de março de 2009 | 12h37

O braço israelense do grupo Médicos pelos Direitos Humanos e especialistas da Organização das Nações Unidas (ONU) criticaram nesta segunda-feira, 23, a conduta de Israel durante o recente conflito com o grupo islâmico Hamas na Faixa de Gaza. 

 

Em Genebra, um grupo de especialistas em direitos humanos da ONU informou que soldados israelenses utilizaram um menino palestino de 11 anos como escudo humano durante o conflito de três semanas ocorrido entre o fim de 2008 e o início de 2009. Soldados israelenses obrigaram o menino a andar na frente deles enquanto estavam na mira de armas de fogo no bairro de Tel al-Hawa, na Cidade de Gaza, e o fizeram entrar antes deles em casas e prédios, disse Radhika Coomaraswamy, enviada especial do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, para a proteção de crianças em conflitos armados.

 

O episódio relatado faz parte de um relatório de 43 páginas divulgado nesta segunda, somando-se a uma série de denúncias de atrocidades atribuídas aos militares de Israel no conflito, durante o qual morreram mais de 1.400 palestinos, civis em sua maioria, e 13 israelenses, sendo dez militares e três civis. A missão diplomática de Israel informou que responderia às acusações ainda nesta segunda-feira durante uma sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU.

 

Há também denúncias de que forças do Hamas teriam usado escudos humanos, mas estas ainda precisam ser verificadas pelos especialistas da ONU, prosseguiu Radhika. "Violações foram reportadas diariamente e são numerosas demais para se fazer uma lista", disse a enviada especial, que visitou Gaza e Israel durante cinco dias no mês passado. Ainda segundo ela, o Hamas também cometeu abusos e não parece disposto a investigá-los.

 

Em Jerusalém, o braço israelense do grupo Médicos pelos Direitos Humanos denunciou que Israel interferiu na retirada dos feridos e atacou equipes e instalações médicas em Gaza. De acordo com o grupo, 16 médicos palestinos morreram durante a guerra e 34 hospitais e clínicas foram atacados pelos militares israelenses. O comando militar israelense afirma que os soldados eram instruídos a evitar ataques a veículos e instalações médicas. No entanto, o jornal israelense Haaretz denunciou no domingo que teria havido pelo menos uma ordem por escrito de um comandante para "atirar no pessoal de socorro".

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