Novato centrista rouba a cena na eleição israelenses

Um ex-apresentador de TV com poucos meses de carreira política foi a grande surpresa da eleição israelense de terça-feira, levando seu recém-criado partido centrista ao segundo lugar na votação.

ALLYN FISHER-ILAN, Reuters

23 de janeiro de 2013 | 09h40

Yair Lapid, de 49 anos, líder do partido Yash Atid (Há Um Futuro), baseou sua campanha na contestação à crescente influência dos judeus ortodoxos sobre a sociedade israelense -tema que já era caro ao seu pai, um falecido ministro.

Ele prometeu abolir a dispensa de seminaristas judeus das Forças Armadas, e ampliar a base tributária do país -aliviando a carga sobre a classe média- ao trazer mais judeus ultraortodoxos para a força de trabalho.

A plataforma do grisalho candidato, sua boa aparência e suas promessas de mudança atraíram os eleitores jovens, e as pesquisas de boca de urna indicam que o Yash Atid terá 18 ou 19 deputados no Knesset (Parlamento, com 120 deputados).

Lapid, um entusiasta das artes marciais, terá agora musculatura política suficiente para negociar uma participação no gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que foi reeleito por pequena margem e prometeu formar a mais ampla coalizão possível.

Mas não está claro até que ponto Netanyahu conseguirá conciliar seus tradicionais aliados ultranacionalistas e religiosos com a plataforma centrista e laica de Lapid.

O conhecido apresentador construiu seu partido usando uma incomum mistura de personalidades públicas, incluindo dois rabinos moderados, vários prefeitos e ex-funcionários municipais, um ex-chefe do Shin Bet (serviço de segurança) e um colega jornalista.

Seguidores dele festejaram os resultados da boca de urna dançando no comitê de campanha, em Tel Aviv.

"Estou animado", disse um radiante Lapid a jornalistas. "Pouca gente esperava que fôssemos tão longe."

Em entrevista à Reuters antes da eleição, ele disse que não descartava participar de uma coalizão de governo junto com seus rivais religiosos, mas impôs condições que podem complicar a adesão.

"Ficarei mais do que satisfeito se tiver uma parcela" de responsabilidade em reconstruir as políticas sociais, disse Lapid, que no entanto salientou a razão que o levou a abandonar, um ano atrás, a lucrativa carreira de apresentador de noticiários: "Foi uma tentativa de me tornar alguém que vira o jogo."

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