Novo cardeal do Iraque pede libertação de aliado de Saddam

O líder espiritual dos católicos doIraque, promovido a cardeal no mês passado, pediu aos EstadosUnidos a libertação de Tariq Aziz, membro do governo de SaddamHussein, se não houver provas contra ele. Aziz é um cristão caldeu, o maior grupo cristão do Iraque,e a sua presença no alto escalão de Saddam foi sempre exibidapelo governo como uma prova da tolerância religiosa do ex-líderiraquiano. Numa entrevista à Reuters, às vésperas do Natal, Emmanuel3o Delly, o cardeal de Bagdá, patriarca dos caldeus, tambémcobrou liberdade religiosa no Iraque muçulmano. Muitos cristãostêm sido sequestrados no país, mortos ou obrigados a fugir. "Não temos nenhuma liberdade religiosa no Iraque, masesperamos que venhamos a ter um dia, porque o Senhor nos crioulivres, e todos devem ter liberdade de religião", afirmou ocardeal. Aziz está sob custódia norte-americana e, segundo relatos,está mal de saúde, com diabete. Ele é mantido preso semacusação formal, e a sua família tem insistido pela sualibertação. "Em relação a Tariq Aziz, que trabalhou por tanto tempopara o Iraque e, tenho certeza, ainda quer coisas boas para oIraque, nós temos que exigir a libertação de todos os presoscontra os quais não há evidências, o quanto antes", afirmouDelly. O cardeal, um crítico da invasão norte-americana de 2003,declarou haver tentado visitar Aziz, mas que o seu pedido foirecusado. Os promotores iraquianos afirmam que Aziz pode ser acusadopela repressão contra os xiitas depois da Guerra do Golfo,quando dezenas de milhares morreram. Em 25 de novembro, na cerimônia no Vaticano em que Delly,80 anos, virou cardeal, o papa Bento 16 disse que a promoçãovisava mostrar solidariedade aos cristãos no Iraque. Antes, opapa havia expressado preocupação com o recente êxodo decristãos do Iraque. Os cristãos compõem cerca de 3 por cento da população de 27milhões do Iraque, segundo o Departamento de Estadonorte-americano.

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