Novo conselho da ONU não é mais favorável a palestinos--EUA

A dinâmica no Conselho de Segurança não é mais favorável agora a um pedido palestino de adesão à ONU do que era há um ano, apesar de uma mudança parcial na composição da entidade, disse a embaixadora dos Estados Unidos na Organização das Nações Unidas nesta segunda-feira.

PATRICK WORSNI, REUTERS

23 de janeiro de 2012 | 19h53

Desafiando uma forte oposição dos EUA e de Israel, a Autoridade Palestina se candidatou para uma adesão à ONU ao conselho em setembro passado. Mas um comitê para considerar a candidatura não chegou a um consenso, e os palestinos até agora não pediram uma votação formal no conselho.

Dirigindo-se a uma plateia judia em Nova York, a embaixadora Susan Rice disse que desde o relatório do comitê, a candidatura tinha "essencialmente ficado lá por enquanto".

"Eu presumo que seja porque os palestinos decidiram que, dado o provável resultado da votação no conselho, não era o momento de pressionar por uma votação", disse ela à diretoria do Comitê Judeu Americano, ou AJC. "A verdade é que ninguém sabe com certeza o que os palestinos decidirão fazer".

Questionada se a substituição de cinco membros do conselho de 15 nações em 1o de janeiro poderia afetar a questão, Rice disse: "acho que estamos basicamente no mesmo lugar agora em que estávamos no ano passado, e potencialmente em uma posição melhor".

A questão para os palestinos no ano passado não era se sua candidatura receberia uma aprovação do conselho - já que os EUA certamente a vetariam -, mas se conseguiriam obter uma vitória moral e forçar Washington a usar seu poder de veto ganhando nove votos em favor de outros membros.

Na ausência de um veto, uma resolução do conselho precisa de nove votos para ser aprovada.

Mas diplomatas disseram na época que os palestinos conseguiriam apenas oito votos de apoio, com outros países votando contra ou se abstendo.

Segundo diplomatas, essa situação se mantém apesar das mudanças na composição do conselho. O recém-chegado Azerbaijão provavelmente apoiaria a candidatura palestina, enquanto seu predecessor, a Bósnia, se absteria. Mas a Guatemala não deve seguir seu predecessor, o Brasil, no apoio aos palestinos. Os outros três recém-chegados não representam mudanças.

A opção palestina é se pressiona por uma votação no Conselho de Segurança de qualquer maneira, se leva a questão à Assembleia Geral da ONU - que não pode conferir status de membro, mas pode aumentar seu status como observador - ou não faz nada enquanto continua os contatos com Israel sobre uma possível retomada das negociações de paz.

Rice reafirmou a postura norte-americana que um Estado palestino só seria possível através de negociações diretas com Israel, não através "de um atalho nas Nações Unidas".

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