Novo ministro francês da Defesa diz que Afeganistão é armadilha

A guerra do Afeganistão é uma armadilha para todos os envolvidos, e a França irá discutir como retirar seu contingente de lá durante a cúpula da Otan nesta semana, disse nesta quarta-feira o recém-nomeado ministro da Defesa francês Alain Juppé.

REUTERS

17 de novembro de 2010 | 10h13

"O Afeganistão é, eu diria, uma armadilha para todas as partes envolvidas", disse Juppé, um ex-primeiro-ministro indicado no domingo para o ministério como parte de uma reforma do presidente conservador Nicolas Sarkozy em seu gabinete.

A declaração dele amplia a expectativa de que a França começará a retirar seu contingente do Afeganistão em 2011, e que completará a retirada antes da eleição presidencial francesa de 2012.

A França tem cerca de 3.500 soldados nesse conflito, que é desaprovado pela opinião pública. Pelo menos 50 militares do país morreram na guerra desde 2001.

As tropas francesas controlam duas áreas do Afeganistão, e o ex-ministro da Defesa Hervé Morin dizia que uma delas deveria ser transferida para as forças afegãs no ano que vem.

Em entrevista à rádio Europe 1, Juppé disse que a França tenta transferir as tarefas de combate "pouco a pouco", e que a cúpula da Otan na sexta-feira e no sábado em Lisboa servirá para discutir como as áreas sob controle francês poderão ser entregues às forças afegãs.

"Isso irá nos permitir considerar, conforme um calendário que não é fixo, como adaptar nossas tropas no terreno", disse Juppé. "Teremos de deixar o Afeganistão um dia, mas faremos isso quando houver condições para as autoridades afegãs terem a situação em suas mãos."

A presença francesa no Afeganistão é considerada um dos motivos para o elevado estado de vigilância na França contra possíveis atentados de militantes islâmicos.

Em discurso no mês passado, o líder do grupo Al Qaeda, Osama bin Laden, fez pela primeira vez ameaças à França, apoiando o sequestro de cinco cidadãos franceses por militantes no norte da África.

Questionado na quarta-feira sobre se os reféns, funcionários da empresa francesa Areva no Níger, continuavam vivos, Juppé disse: "No momento temos todas a razões para acreditar que sim."

Ele acrescentou que o governo francês está em contato com a Al Qaeda no Magreb Islâmico, grupo que reivindicou a autoria do sequestro.

(Reportagem de Vicky Buffery e Nick Vinocur)

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