Novo premiê paquistanês já foi preso pelo regime de Musharraf

Yousuf Raza Gillani presidiu o Parlamento durante o segundo mandato da ex-premiê assassinada Benazir Bhutto

Efe,

24 de março de 2008 | 18h45

O primeiro-ministro do Paquistão, Yousuf Raza Gillani, eleito nesta segunda-feira, 24, presidiu o Parlamento durante o segundo mandato da ex-premiê assassinada Benazir Bhutto e passou quase seis anos na prisão no início do regime do presidente Pervez Musharraf. O dirigente do Partido Popular do Paquistão (PPP) na região do Punjab (nordeste) vem de uma família rica e religiosa que por quatro gerações teve uma grande participação na vida política, principalmente no âmbito local.   Veja também: Após eleição de premiê, juízes são libertados no Paquistão A trajetória de Benazir   Gillani nasceu há 55 anos na cidade de Karachi, capital da província de Sindh (sudeste), mas suas raízes estão na importante localidade de Multan, em Punjab. O político veterano começou sua carreira em 1978 na Liga Muçulmana (PML, partido do fundador do Paquistão, Ali Jinnah, que já sofreu várias cisões) após a morte de seu pai, Makhdom Alamdar Hussain, e foi eleito para o Parlamento pela primeira vez durante a ditadura do general Zia ul-Haq.   O novo chefe do governo também é amigo pessoal do líder do PPP, Asif Ali Zardari, e foi um colaborador próximo de Benazir, a quem Gillani aponta como a responsável por recolocar o Paquistão no caminho da democracia.   No primeiro governo de Bhutto (1988-1990), Gillani ocupou as pastas de Turismo e de Ferrovias durante um breve período, e no segundo Governo de Benazir (1993-1996) foi presidente do Parlamento. No entanto, sua experiência em tarefas de governo remonta há quase uma década, já que entre 1985 e 1988 tinha dirigido os Ministérios do Trabalho e de Ferrovias no Gabinete de Muhammad Khan Junejo, após ter sido eleito para uma cadeira como candidato independente.   Nas eleições legislativas de 18 de fevereiro deste ano, Gillani conseguiu pela quarta vez uma cadeira com o PPP, legenda à qual se filiou em 1988 e da qual foi nomeado vice-presidente dez anos depois. Contudo, o novo premiê não era deputado há mais de uma década, já que nas eleições de 1997 seu partido não conseguiu nenhuma cadeira na província de Punjab, reduto de votos da Liga Muçulmana do Paquistão-Nawaz (PML-N), do ex-primeiro-ministro Nawaz Sharif, que venceu aquele pleito.   Em 2001, foi preso após ser condenado a dez anos de prisão por um Tribunal Anticorrupção sob o regime de Musharraf, que amanhã será encarregado de presidir a sessão de posse do novo primeiro-ministro. Também foi acusado de abuso de autoridade no período em que presidiu a Assembléia paquistanesa e passou seis anos na prisão, onde escreveu um livro.   Gillani é o 22º chefe de governo na história do Paquistão e o terceiro político do PPP a assumir o cargo, depois do fundador do partido, Zulfikar Ali Bhutto (1973-1977) e Benazir (1988-1990 e 1993-1996). O novo primeiro-ministro paquistanês é casado, tem cinco filhos e graduou-se em 1976 em Jornalismo pela Universidade de Punjab - formação que foi ampliada com estudos de magistério no Reino Unido.

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