Novos assentamentos de Israel não ajudam processo de paz--Obama

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse nesta terça-feira que a continuidade na expansão dos assentamentos israelenses não ajuda as negociações de paz com os palestinos e que ambas as partes não estão fazendo os esforços necessários para um acordo.

PATRICIA ZENGERLE, REUTERS

09 de novembro de 2010 | 16h39

Israel anunciou na segunda-feira que seguirá com planos de construir 1.300 novos apartamentos para judeus em Jerusalém Oriental, apesar de forte oposição de palestinos.

O momento do anúncio pode causar um constrangimento ao primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que está nos EUA em busca de maneiras para reiniciar as conversas de paz no Oriente Médio, interrompidas justamente pela polêmica das construções nas colônias judaicas.

"Este tipo de atividade nunca ajuda as negociações de paz", disse Obama em coletiva de imprensa em Jacarta, onde fará um pronunciamento ao mundo muçulmano antes de deixar a Indonésia, na quarta-feira.

"E estou preocupado que não estamos vendo nenhum dos lados fazendo um esforço extra para chegar a um acordo que possa finalmente criar um compromisso para que Israel viva lado a lado em paz com uma Palestina soberana", disse Obama, ao ser perguntado sobre os novos planos israelenses para assentamentos.

O negociador-chefe palestino, Saeb Erekat, disse também nesta terça que o plano de Israel de construir novas casas em território ocupado deve ser combatido com o reconhecimento internacional de um Estado palestino.

Obama ainda tem forte apoio na Indonésia, apesar da queda na sua confiança em outros países muçulmanos desde seu pronunciamento ao mundo islâmico, em junho do ano passado.

As longas guerras dos EUA no Afeganistão e no Iraque afetaram sua popularidade, assim como o impasse nas negociações entre israelenses e palestinos.

Obama recebeu Netanyahu e o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, em Washington em setembro, na tentativa de impulsionar as negociações de paz. Mas as conversas diretas foram interrompidas pouco após terem sido iniciadas, após a recusa por Netanyahu de ampliar o congelamento na expansão dos assentamentos judaicos na Cisjordânia ocupada, como exigido pelos palestinos.

Obama disse que continuará trabalhando por um acordo de paz.

"É de interesse do mundo. É do interesse da população de Israel e é do interesse da população palestina chegar a um acordo... Mas cada um desses passos incrementais podem quebrar a confiança entre as partes", disse Obama.

Israel anexou a região Oriental de Jerusalém, junto com a Cisjordânia, após a Guerra dos Seis Dias, em 1967, e considera toda Jerusalém como sua capital indivisível. Os palestinos reivindicam Jerusalém Oriental como a capital do Estado independente que planejam criar na Cisjordânia e na Faixa de Gaza.

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