Novos atentados abalam bairro pró-Assad em Damasco

Várias explosões de bombas abalaram uma área montanhosa de Damasco habitada por sírios da vertente muçulmana alauíta, à qual pertence o presidente da Síria, Bashar al-Assad, numa nova escalada de ataques sectários em um conflito que aprofundou a divisão religiosa no Oriente Médio.

KHALED YACOUB OWEIS E MOHAMMED ABBAS, Reuters

07 de novembro de 2012 | 13h49

Os atentados ocorreram um dia depois de ataques letais em bairros segregados da capital, agravando a divisão do país entre os alauítas --que governam o país desde os anos 1960-- e os sunitas, líderes da revolta de 19 meses contra o regime da família Assad. A vertente alauíta é uma ramificação do xiismo e tem o apoio do Irã.

A fumaça era visível no enclave alauíta, conhecido como Mezze 86 e situado perto do palácio presidencial. Vários moradores de Damasco disseram, por telefone, que parecia tratar-se de morteiros de pesado calibre.

"As ambulâncias estão indo para a área e a shabbiha (milícia pró-Assad) está disparando para o ar com fuzis automáticos", afirmou uma dona de casa que não quis identificar-se.

A TV estatal síria informou que o ataque foi realizado com morteiros, mas não deu detalhes.

Na terça-feira, um carro-bomba explodiu perto de uma mesquita em Al-Qadam, um bairro sunita da classe trabalhadora, na capital, matando e ferindo dezenas de pessoas, segundo ativistas da oposição.

A área de Al-Qadam, de onde operam os rebeldes, tem sido alvo de pesada barragem de artilharia do Exército sírio nas últimas semanas. A aviação síria também vem bombardeando a região.

Barragens de artilharia e bombardeios aéreos por parte dos militares sírios arruinaram distritos inteiros de Damasco, bem como cidades e vilas em várias partes do país.

Entretanto, apesar de seu poder de fogo, o regime sírio não parece estar prestes a esmagar os rebeldes, que detém armamento leve e até o momento mostraram não ser capazes de destituir o líder sírio.

O levante contra o autocrático regime de Assad e seu falecido pai, no poder há 42 anos, já causou mais de 32 mil mortos e deixou muitas partes da Síria em ruínas. O conflito colocou Estados Unidos e Rússia em polos antagônicos e divide as potências regionais do Oriente Médio, ampliando a distância entre os muçulmanos xiitas e os sunitas.

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