Número de civis mortos no Iraque cai à metade, dizem EUA

Em setembro, 922 iraquianos foram mortos, contra 1975 em agosto; baixa militar desce ao menor nível em um ano

Associated Press e Efe,

01 de outubro de 2007 | 10h50

O número de civis mortos no Iraque em setembro caiu drasticamente para menos de 50% do total registrado em agosto, informou nesta segunda-feira, 1, um relatório do Exército dos Estados Unidos. No mesmo mês, as baixas americanas também desceram ao seu menor patamar em 2007.  Veja também:Irã pode ajudar os EUA a estabilizar o Iraque, diz LarijaniA ocupação do Iraque   Segundo o Exército, este é o primeiro resultado do aumento de tropas no Iraque proposto em fevereiro. O projeto previa o envio de 30 mil soldados para o país em um novo plano de segurança. Segundo o relatório, em setembro foram mortos 922 civis, uma queda de 53,3% ante as 1975 mortes registradas no mês anterior. "Não há alguma coisa que possa responder a diminuição no número de mortes de iraquianos e soldados da coalizão", afirmou o comandante Steven Boylan, porta-voz do comandante das tropas americanas no Iraque, general David Petraeus. Segundo o relatório, o número de baixas civis chegou a seu menor nível desde julho de 2006. O Exército dos EUA registrou um total 63 soldados mortos. O número de militares americanos vítimas da violência desde o início do conflito no Iraque, em março de 2003, já chega a 3.803. A maioria morreu por causa de bombas colocadas em estradas, uma das estratégias mais freqüentes usada pelos insurgentes iraquianos. Dados dos Ministérios de Saúde, Interior e Defesa dão conta de que 884 civis morreram em setembro, ante 1.773 vítimas fatais no mês anterior.  Com a operação militar voltada principalmente contra militantes da Al-Qaeda e milícias xiitas, Washington esperava dar ao governo iraquiano mais tempo para a busca da reconciliação entre suas facções.  A redução nas vítimas ocorreu apesar do alerta feito há mais de duas semanas pela Al-Qaeda de que o grupo sunita pretendia ampliar seus ataques durante o mês sagrado islâmico do Ramadã, tendo como alvos principalmente os líderes tribais que passaram a cooperar com as forças oficiais. Divisão Contudo, a queda não significa uma diminuição da violência. Na última semana, uma proposta do Senado americano criou temor no governo iraquiano sobre uma nova onda de instabilidade. A proposta contempla a divisão geográfica do Iraque por etnias. Os principais partidos políticos do Iraque denunciaram no domingo a proposta segundo a qual o país árabe deveria ser dividido entre xiitas, sunitas e curdos, limitando a atuação do governo central à segurança das fronteiras e à partilha da arrecadação com as exportações de petróleo.  Para os líderes dos principais partidos iraquianos, a idéia dos senadores americanos, se implementada, representaria um obstáculo à estabilidade do país árabe.  Tanto os líderes dos partidos xiitas quando os dos sunitas advertiram que tal plano retiraria a soberania do Iraque e recomendaram ao Parlamento que elabore e vote um projeto de lei que proíba de forma permanente a divisão do país em linhas étnicas ou sectárias. Leitura incorreta "Essa proposta baseia-se numa leitura incorreta e em estimativas irreais do passado, do presente e do futuro do Iraque", diz um comunicado lido por Izzat al-Shahbandar, representante da Lista Nacional Iraquiana, um partido político laico, em entrevista coletiva. "A proposta opõe-se a todas as leis da comunidade internacional e das instituições legitimamente reconhecidas que asseguram o direito dos povos à autodeterminação, forjando seu futuro e defendendo sua unidade e sua soberania", prosseguiu. Shahbandar também conclamou a comunidade internacional a denunciar a proposta e a "apoiar o Iraque em sua crise e em seu esforço para restaurar a segurança e a estabilidade em todo seu território".

Tudo o que sabemos sobre:
IraqueExércitobalanço

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.