Número de mortes no Iraque atinge maior nível em 6 meses

Ministérios iraquianos apontam aumento de 31% na soma de vítimas civis desde agosto de 2007, mês mais violênto

RANDY FABI, REUTERS

01 de abril de 2008 | 11h22

Os combates entre forças de segurança e rebeldes xiitas no mês passado levaram o número de mortes de civis no Iraque a seu mais alto patamar dos últimos seis meses, mostraram dados oficiais divulgados nesta terça-feira, 1. Em março, 923 civis morreram, 31% a mais que em fevereiro, fazendo daquele o mês mais violento desde agosto de 2007, segundo dados compilados junto aos Ministérios do Interior, da Defesa e da Saúde do Iraque e obtidos pela Reuters. Os dados significam um golpe para os governos iraquiano e norte-americano, que apontavam a redução no nível de violência nos últimos meses como uma prova de que uma grande operação de segurança realizada há pouco tempo tinha gerado resultados concretos.   Mesmo com o acentuado aumento no número de mortes no último mês, a cifra referente a março era ainda bastante menor do que a de 1.861 civis mortos de forma violenta no mesmo mês do ano passado, em um momento no qual o Iraque encontrava-se à beira de uma guerra civil.  Um total de 1.358 civis ficou ferido no mês passado, contra 2.700 em março de 2007. Os dados obtidos junto aos ministérios iraquianos mostraram também que 102 policiais e 52 soldados foram mortos em março, contra 65 e 20, respectivamente, para fevereiro. Centenas de pessoas foram mortas e muitas mais ficaram feridas na última semana de combates depois de o primeiro-ministro do Iraque, Nouri al-Maliki, haver ordenado uma ação repressiva contra milicianos xiitas da cidade de Basra, ao sul do país. Muitos dos mortos eram civis atingidos no fogo cruzado. Basra estava relativamente calma pelo segundo dia consecutivo nesta terça-feira, depois de o clérigo xiita Moqtada al-Sadr haver retirado seus combatentes das ruas, no domingo.  Maliki considerou a operação militar um sucesso: "Após manter a estabilidade e a segurança, o plano de segurança atingiu seus objetivos de impor a lei na Província de Basra." No entanto, segundo muitos especialistas, a ação pode se transformar em um tiro pela culatra ao expor as fraquezas do Exército iraquiano e reforçar a base de apoio a Sadr.   Durante os combates, o ministro da Defesa iraquiano reconheceu que suas forças ficaram surpresas com a ferocidade da resistência. "O governo avaliou mal a situação e Maliki perdeu muita coisa", afirmou o analista de política Ghassan al-Atiya, que trabalha em Londres. Um repórter da Reuters presente em Basra disse que um número maior de lojas abria as portas nesta terça e que as ruas enchiam-se novamente de moradores e carros. Mas muitas escolas e escritórios continuavam fechados.   Os embates chamam atenção para um profundo racha existente entre os xiitas, maioria no Iraque. A desavença acontece entre os partidos políticos presentes no governo de Maliki e os seguidores de Sadr, um clérigo populista. "Que Deus abençoe as famílias dos mártires. Pedimos a Deus que Ele lhes dê paciência para saberem o que Deus reservou a eles", disse Sadr a seus seguidores em um comunicado obtido pela Reuters.

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