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Número de mortos durante protestos no Irã sobe para 17

Entidade diz que feridos estão sendo presos nos hospitais; líderes europeus pedem recontagem de votos

Associated Press e Agência Estado,

21 Junho 2009 | 10h31

A mídia estatal iraniana informou neste domingo, 21, que dez pessoas morreram nos protestos após a eleição de Mahmud Ahmadinejad, elevando o número oficial de mortos para pelo menos 17. A tevê estatal também informou que as autoridades prenderam a filha e outros quatro parentes do ex-presidente Hashemi Rafsanjani, um dos homens mais poderosos do Irã, por terem participado de uma manifestação ilegal. Após os confrontos de sábado, 20, as ruas de Teerã amanheceram calmas neste domingo.

 

"Dez pessoas morreram e mais de 100 ficaram feridas nos tumultos que terminaram em confrontos", divulgou a tevê estatal. Ahmad Reza Radan, vice-chefe de política do Irã, culpou o grupo "Mujahedeen do Povo do Irã" pela violência. "Os criminosos e agentes do Mujahedeen entre a multidão usaram armas de fogo, motivo para as vítimas", disse. Fundado em 1965 com o objetivo de derrubar o governo então apoiado pelos EUA, o "Mujahedeen do Povo do Irã" foi o braço armado do Conselho Nacional de Resistência do Irã, com sede na França, mas renunciou à violência em junho de 2001.

 

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A Anistia Internacional alertou que era "perigosamente difícil" verificar o número de vítimas. "O clima de medo lançou uma sombra sobre toda a situação", disse o pesquisador-chefe da Anistia no Irã, Drewery Dyke, para a agência Associated Press.  A mídia estatal também informou que os manifestantes também fogo em duas estações de gás e atacaram um posto militar durante os confrontos de sábado.

 

Em Nova York, a Campanha Internacional por Direitos Humanos no Irã disse neste domingo que um grande número de manifestantes que buscou tratamento médico nos hospitais da capital após os confrontos foram presos pelas forças de segurança. Segundo a entidade, os médicos receberam ordens para informar às autoridades sobre feridos relacionados aos protestos e que alguns manifestantes seriamente feridos buscaram refúgio em embaixadas estrangeiras para evitar a prisão.

 

A filha mais velha de Rafsanjani, Faezeh Hashemi, e outros quatro membros da família, não identificados, foram presos na noite de sábado. Na semana passada, a tevê estatal mostrou imagens de Hashemi falando para centenas de apoiadores do candidato reformista da oposição Mirhossein Mousavi.

 

Rafsanjani, de 75 anos, não esconde o seu desgosto com o presidente reeleito Mahmoud Ahmadinejad, que acusa o ex-presidente e sua família de corrupção. Ele chefia hoje dois grupos muito poderosos. O mais importante é a Assembleia de Especialistas, formada por clérigos seniores que podem eleger ou afastar o líder supremo. O segundo é o Conselho de Diligência, um órgão que arbitra disputas entre o parlamento e o Conselho de Guardiões e pode bloquear o legislativo.

 

Recontagem de votos

 

Líderes ocidentais defenderam neste domingo uma recontagem de votos justa no Irã e pediram que o país aceite manifestações pacíficas. O secretário de Relações Exteriores da Inglaterra, David Miliband, rejeitou acusações de que governos de outros países estejam interferindo em questões iranianas, segundo a agência Reuters.

 

Ele minimizou comentários do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad que pediram para os Estados Unidos e a Inglaterra pararem de interferir nos assuntos internos da república islâmica. "O Reino Unido é categórico em sua posição de que cabe ao povo iraniano escolher o governo e às autoridades iranianas assegurarem a integridade do resultado e a proteção de seu próprio povo."

 

A chanceler alemã, Angela Merkel, pediu que as autoridades iranianas recontem votos, evitem usar violência contra manifestantes, libertem membros detidos da oposição e permitam a cobertura livre da imprensa sobre as manifestações. "A Alemanha está do lado do povo iraniano, que quer exercitar seu direito de liberdade de expressão e de promover reuniões livres", disse ela em comunicado.

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