Número de mortos em protestos na Síria sobe para 19, dizem ativistas

Governo diz que policial também morreu; manifestações ocorreram em praticamente todo o país

KHALED YACOUB OWEIS, REUTERS

17 de junho de 2011 | 21h10

Foto de manifestante mostra cartaz em Deir al-Zour com a inscrição 'É sangue, não água'

 

DAMASCO - Forças da Síria mataram 19 pessoas ao longo desta sexta-feira, 17, ao abrir fogo contra manifestantes que pedem a saída do presidente Bashar al-Assad, denunciaram ativistas de direitos humanos, e potências europeias disseram que Damasco deve enfrentar sanções mais duras por conta da violência.

 

Dezenas de milhares de pessoas protestaram ao redor do país, desafiando a repressão militar de Assad e ignorando a promessa de que seu milionário primo Rami Makhlouf, um símbolo da corrupção, renunciaria ao seu império empresarial e doaria seu dinheiro à caridade.

"Os protestos na semana passada foram grandes e nesta semana são maiores ainda. Os manifestantes não tomaram ainda as praças em grandes cidades da forma como vimos no Egito, mas estamos indo nesta direção", afirmou por telefone à Reuters o opositor Walid al-Bunni, desde Damasco.

Homs

 

O pior derramamento de sangue aconteceu em Homs, onde ativistas disseram que 10 manifestantes foram assassinados e a televisão estatal informou que um policial foi morto por homens armados. Uma pessoa também foi morta no centro comercial de Aleppo, no norte da Síria, o primeiro manifestante a morrer lá desde que os protestos começaram no sul do país em março.

As preces muçulmanas da sexta-feira ofereceram uma plataforma para os maiores protestos no levante de três meses, inspirado nas revoltas que derrubaram os líderes do Egito e da Tunísia e que continuam desafiando autocratas no mundo árabe.

Ativistas disseram que dezenas de milhares de pessoas protestaram na província de Deraa, no sul, onde começou a revolta contra o regime de Assad, assim como no leste curdo, na cidade de Hama, ao norte de Damasco, e nos subúrbios da própria capital.

Duas cidades do norte também foram cercadas por soldados do Exército, segundo moradores, cinco dias depois que militares reassumiram a cidade rebelada de Jisr Al-Shughour, o que levou milhares de pessoas a cruzar a fronteira para a Turquia.

Grupos de defesa dos direitos humanos sírios disseram que 1,3 mil civis e mais de 300 soldados e policiais morreram desde o início dos protestos contra o regime de 41 anos da família Assad e que mais de 10 mil pessoas foram presas.

Autoridades atribuem a violência a grupos armados e islâmicos, apoiados por potências estrangeiras. A Síria proibiu a entrada da maioria dos jornalistas estrangeiros, tornando difícil a verificação de relatos de ativistas e autoridades.

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