Obama diz que chacina o estimula a desocupar o Afeganistão

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse na segunda-feira que a chacina cometida no domingo por um soldado norte-americano no Afeganistão reforça os argumentos em prol de uma retirada das tropas dos EUA do país.

REUTERS

12 de março de 2012 | 21h18

"Isso me deixa mais determinado a garantir que vamos trazer nossas tropas para casa", disse Obama ao canal de TV KDKA, afiliada da rede CBS em Pittsburgh.

"Já é hora. Já faz um década, e francamente, agora que pegamos (Osama) Bin Laden, agora que enfraquecemos a Al Qaeda, estamos em uma posição mais forte para fazermos a transição do que estaríamos há dois ou três anos", acrescentou.

Mas Obama disse que não considera conveniente "correr para a saída", e que a desocupação precisa ser feita de forma responsável.

Em maio, Obama será o anfitrião de uma cúpula da Otan que examinará as opções para uma gradual redução das forças ocidentais no Afeganistão, transferindo para as tropas locais a responsabilidade pela segurança.

A maioria das forças ocidentais deve deixar o Afeganistão até o final de 2014. Washington atualmente negocia um acordo para manter forças especiais e consultores militares no Afeganistão, na esperança de evitar que o país mergulhe no caos.

Em outras entrevista, ao canal WFTV, afiliada da ABC em Orlando, Obama foi questionado sobre eventuais paralelos envolvendo a chacina de domingo, que vitimou 16 civis - principalmente mulheres e crianças - numa aldeia da província de Kandahar (sul), e o célebre massacre de My Lai, ocorrido em 1968 durante a Guerra do Vietnã.

"Não é comparável", disse Obama. "(No caso do Afeganistão) parece que foi um atirador solitário, agindo por conta própria. Não é de forma alguma representativo dos enormes sacrifícios que nossos homens e mulheres têm feito no Afeganistão."

Uma fonte oficial dos EUA disse que o sargento responsável pela chacina recebeu atendimento médico depois de sofrer uma lesão cerebral traumática, por causa do capotamento de um veículo onde ele estava, em 2010, no Iraque.

Essa fonte, falando sob anonimato, disse que é prematuro dizer se há alguma ligação entre a lesão de 2010 e o incidente de domingo no Afeganistão.

(Reportagem de Caren Bohan, Samson Reiny, Matt Spetalnick e Missy Ryan)

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