Obama faz apelo direto a povo israelense pela paz

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, apelou diretamente nesta quinta-feira ao povo israelense para que se colocasse no lugar dos palestinos sem Estado e reconhecesse que a atividade de assentamento judeu em território ocupado prejudica as perspectivas de paz.

STEVE HOLLAND E JEFFREY HELLER, Reuters

21 de março de 2013 | 15h39

Em um discurso em Jerusalém para estudantes da universidade israelense, Obama fez seu apelo ao mesmo tempo em que reconhecia os temores de segurança do Estado judeu em uma região desestabilizada pelo impasse nuclear do Ocidente com o Irã e pela guerra na Síria.

Mas ele pediu à geração mais jovem de Israel que exigisse que seus políticos assumissem riscos pela paz, em um discurso frequentemente interrompido por aplausos, incluindo uma ovação em pé ao presidente durante uma breve interrupção de um desordeiro.

"Vocês devem criar a mudança que querem ver", disse ele a sua plateia jovem.

Obama, em sua primeira visita oficial a Israel e à Cisjordânia ocupada, disse que apenas a paz poderia trazer a verdadeira segurança, mas não ofereceu novas ideias sobre como reviver as negociações de paz entre israelenses e palestinos, paralisadas desde 2010.

"Dada a demografia a oeste do Rio Jordão, a única maneira de Israel persistir e prosperar como um Estado democrático e judeu é através da realização de uma Palestina independente e viável", disse.

Era uma advertência clara de que o controle continuado de Israel sobre a Cisjordânia, território ocupado junto com a Faixa de Gaza e Jerusalém Oriental na guerra de 1967, iria acabar levando a uma maioria árabe em terra controlada pelo Estado judeu.

"Os israelenses devem reconhecer que a continuada atividade de assentamento é contraproducente à causa da paz, e que uma Palestina independente deve ser viável, que as fronteiras reais terão que ser traçadas", disse Obama, sem chegar a pedir um congelamento das construções.

"Coloquem-se no lugar (dos palestinos). Olhem para o mundo com os olhos deles", ele disse. "Não é justo que uma criança palestina não possa crescer em um Estado próprio, e tenha que viver com a presença de um Exército estrangeiro que controla os movimentos de seus pais todos os dias".

Obama recebeu uma recepção efusiva em Israel desde sua chegada na quarta-feira, esperando zerar sua relação problemática com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.

"A América fará o que deve para evitar um Irã nuclear", ele disse a sua plateia entusiasmada, reforçando o principal tema de sua visita a Israel e acrescentando que Washington e seus aliados ainda achavam que havia tempo para uma solução diplomática.

Em uma breve declaração após o discurso de Obama, Netanyahu agradeceu o presidente norte-americano por seu "apoio incondicional ao Estado de Israel" e disse que compartilhava da visão do presidente de que a paz, garantida a segurança dos israelenses, deveria ser buscada.

Obama enfrentou a dura tarefa de conquistar israelenses céticos depois de ter ignorado o país em 2009 quando visitou o Egito e ofereceu um "novo começo" ao mundo islâmico em um discurso na Universidade do Cairo.

Depois de quatro anos, estudantes na escola disseram que Obama não cumpriu suas promessas.

"Não vejo nenhuma mudança na política americana com relação ao Oriente Médio desde o discurso de Obama", disse Mayada Mohammad Yousef, de 19 anos.

"Isso é porque Obama prometeu a implementação de uma solução de dois Estados e parar os assentamentos... e não conseguiu nada disso."

Antes, na cidade de Ramallah, na Cisjordânia, Obama expressou sua oposição à construção de assentamentos, mas pressionou o presidente palestino, Mahmoud Abbas, a abandonar sua exigência de um congelamento antes que as negociações de paz pudessem ser retomadas.

"Meu argumento é o de que embora ambos os lados tenham áreas de fortes desacordos, estejam engajados em atividades que o outro lado pensa ser uma violação da boa fé, precisamos passar sobre essas coisas para tentar chegar a um acordo", disse Obama.

A principal questão agora, disse Obama, era como alcançar a soberania para os palestinos e a segurança para os israelenses.

"Isso não é dizer que assentamentos não são importantes. É dizer que, se solucionarmos esses problemas, a questão de assentamento será resolvida", acrescentou Obama.

Cerca de 150 manifestantes palestinos se reuniram em Ramallah para protestar contra a visita de Obama. Eles foram contidos por fileiras de policiais, que não os deixaram se aproximar do complexo de Abbas.

(Reportagem adicional de Noah Browning em Ramallah, Nidal al-Mughrabi em Gaza, Matt Spetalnick, Allyn Fisher-Ilan e Crispian Balmer em Jerusalém e Ayman Samir no Cairo)

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