Ocidente desconfia de cooperação nuclear iraniana

O Irã precisará demonstrar uma disposição genuína em aproveitar uma rara oportunidade de esclarecer neste mês as suspeitas relacionadas ao seu programa nuclear, para convencer os céticos governos ocidentais de que não está só tentando ganhar tempo.

FREDRIK DAHL, REUTERS

13 de janeiro de 2012 | 18h10

Uma delegação de alto escalão da Agência Internacional de Energia Nuclear (AIEA, um órgão da ONU) deve visitar neste mês o Irã atrás de explicações sobre as suspeitas de que o país está desenvolvendo armas nucleares secretamente.

O representante iraniano na AIEA disse que seu país está disposto a eliminar "quaisquer ambiguidades" relacionadas ao programa nuclear, que Teerã garante ser exclusivamente pacífico.

Mas autoridades iranianas já usaram esses termos antes, e diplomatas ocidentais dizem que isso não basta para satisfazer à AIEA. "Eu tenderia a ser bastante pessimista", disse um diplomata ocidental. "Duvido muito seriamente de que (a missão da ONU) irá levar a alguma coisa."

Inspetores da Organização das Nações Unidas (ONU) visitam regularmente as instalações nucleares declaradas pelo Irã, mas seus movimentos são restritos, e há anos a agência pleiteia acesso a locais, equipamentos, documentos e pessoas que julgue relevantes.

"Eles (iranianos) deveriam entender que não vão se livrar dessas questões ao não respondê-las", disse um funcionário ocidental. "Isso é algo que a AIEA definitivamente irá lhes dizer."

Dois especialistas alertaram que o assassinato de um cientista nuclear nesta semana no Irã, que o governo do país atribuiu a Israel, dará a Teerã "um pretexto para bloquear o acesso à sua comunidade científica e subverter os esforços da agência".

"Se a AIEA perder parte do seu acesso, o mundo terá notavelmente menos informação sobre o programa nuclear do Irã, o que tornará mais difícil a meta de domar as ambições nucleares do Irã", escreveram Ali Vaez e Charles Ferguson, da Federação de Cientistas Americanos.

O Irã agravou as preocupações ocidentais ao iniciar nos últimos dias o trabalho de enriquecimento de urânio numa usina subterrânea em Fordow.

Tudo o que sabemos sobre:
IRANUCLEARVISITA*

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.