Ocidente não avança em conversas com Irã

As potências mundiais não conseguiram fazer progressos com o Irã após dois dias de conversas sobre o programa nuclear deste último, a ponto da UE chamar as discussões de decepcionantes e afirmar que nenhum novo encontro entre as partes foi planejado.

DAVID BRUNNSTROM E PARISA HAFEZI, REUTERS

22 de janeiro de 2011 | 12h35

"Esta não é a conclusão que eu esperava," disse a chefe da diplomacia da União Europeia, Catherine Ashton, na conclusão das conversações em Istambul neste sábado.

"Esperávamos embarcar em uma discussão sobre formas práticas de avançar e fizemos todos os esforços para isso acontecer," acrescentou. "Estou desapontada."

Um auxiliar do negociador-chefe iraniano, Saeed Jalili, disse à Reuters que as conversas serão retomadas, ainda que a ocasião e o local ainda estejam indefinidos. Entretanto, Ashton disse que novas conversas dependem de uma abordagem mais construtiva de Teerã.

"O processo pode caminhar se o Irã decidir reagir positivamente," afirmou ela. "A porta continua aberta. A escolha continua nas mãos do Irã."

O ocidente suspeita que o Irã queira desenvolver armas nucleares, enquanto Teerã diz que seu programa nuclear é pacífico.

O impasse se arrasta há oito anos, e as expectativas eram poucas na véspera do encontro turco.

As conversas deram sequência a uma reunião em Genebra no mês passado, a primeira de uma série de discussões entre as partes em mais de um ano.

O Irã parece ter insistido em pré-condições inaceitáveis para o ocidente, incluindo a suspensão das sanções e o reconhecimento de seu direito de enriquecer urânio.

Após o encontro Jalili declarou que qualquer acordo teria que se baseado no direito iraniano de prosseguir com o enriquecimento.

"Creio que para o objetivo destas conversas, o Irã veio com suas pré-condições muito firmes em mente, e saiu com um entendimento total de que estas não são aceitáveis," disse Ashton aos repórteres.

O Irã ignorou resoluções da ONU exigindo a suspensão do enriquecimento, com benefícios em comércio e de outros tipos como compensação, e se recusou a permitir o livre acesso de inspetores nucleares do organismo.

Ashton delineou a revisão de uma possível oferta para a troca de combustível nuclear, que implicaria na entrega por parte do Irã de uma grande parcela de seu estoque de urânio pouco enriquecido. Nenhuma oferta foi feita porque as pré-condições iranianas incluíam a suspensão das sanções econômicas, informou um diplomata ocidental.

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