Ocidente pede ao Irã que aborde temores de bomba nuclear

As potências ocidentais disseram ao Irã nesta quinta-feira que o país precisa cooperar mais com uma investigação da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre uma suposta pesquisa sobre bomba atômica se quiser um acordo nuclear mais favorável que suavizaria as sanções que o prejudicam.

FREDRIK DAHL, REUTERS

18 de setembro de 2014 | 16h49

O alerta foi comunicado em uma reunião da diretoria da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) em Viena, enquanto os principais negociadores iranianos e seis potências globais se preparam para retomar as conversas em Nova York após um hiato de dois meses.

O enviado de Teerã, Reza Najafi, descartou as acusações sobre as atividades atômicas de seu país como “meras alegações... sem qualquer fundamento”, mas também afirmou que uma nova reunião com a AIEA para discutir o tema deve ser realizada em breve.

Um impasse no inquérito da AIEA pode complicar ainda mais os esforços paralelos das potências para obter um acordo com o Irã sobre a contenção de seu programa nuclear, em troca de uma suspensão gradual das medidas financeiras e de outros tipos que afetam sua economia.

Os Estados Unidos e a União Europeia declararam estar preocupados com o pouco avanço até o momento na já longa investigação da agência da ONU sobre as suspeitas de que Teerã trabalhou no desenvolvimento de uma arma nuclear. O Irã nega a acusação e diz que é o suposto arsenal atômico de Israel que ameaça a paz no Oriente Médio.

Um relatório da AIEA do início de setembro mostrou que os iranianos não responderam as perguntas sobre o que a agência classifica como possíveis dimensões militares do programa nuclear do país até o prazo final de 25 de agosto.

Em um comunicado à cúpula da AIEA, a UE disse estar decepcionada com o “progresso muito limitado” do inquérito.

“A UE ressalta que resolver todos os temas em pauta (entre o Irã e a AIEA) será essencial para se obter um acordo negociado abrangente e de longo prazo”, afirma a declaração.

Trata-se de uma referência ao empenho de EUA, Rússia, China, Grã-Bretanha, França e Alemanha para negociar uma resolução para a longa desavença com a República Islâmica, que se arrasta há uma década, a respeito de seu programa nuclear.

O Irã tem prometido cooperar com a AIEA desde que Hassan Rouhani, visto como um pragmático, foi eleito presidente no ano passado com o compromisso de pôr fim ao isolamento internacional de Teerã, que insiste que suas atividades nucleares só têm finalidades civis.

Mas o Irã não abordou dois assuntos cruciais até o final de agosto, como acordado com a AIEA: os supostos experimentos com explosivos que poderiam ser usados em um artefato atômico e os estudos relacionados ao cálculo da dimensão das explosões nucleares.

Os itens são parte de um relatório de destaque publicado pela agência em 2011 com informações de inteligência indicando que o Irã teve um programa de pesquisa de armas nucleares, mas que o interrompeu em 2003, quando passou a sofrer uma pressão internacional crescente. O relatório sugeriu que algumas atividades podem ter sido retomadas mais tarde, e identificou 12 áreas específicas que disse necessitarem de esclarecimento.

O Irã afirma que as alegações não têm fundamento, e ao mesmo tempo promete lidar com os temores ocidentais.

(Reportagem adicional de John Irish)

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