Ocidente teme progresso do Irã, diz líder do Parlamento

Larijani afirma que crescente papel de Teerã no contexto regional motiva hostilidade dos Estados Unidos

Efe,

11 de agosto de 2008 | 09h14

O presidente do Parlamento do Irã, Ali Larijani, disse nesta segunda-feira, 11, que a hostilidade dos Estados Unidos com Teerã é provocada pela fraqueza de Washington e pelo papel crescente do Irã no contexto regional. "Os EUA e os poderes ocidentais não querem ver o Irã como um país que possua tecnologia moderna", afirmou Larijani em declarações aos jornalistas reproduzidas pela agência oficial Irna, depois de se reunir com altos funcionários do Ministério da Educação. As potências ocidentais, acrescentou Larijani, "querem que a ciência seja propriedade sua e estão empenhados em preservar seu monopólio sobre a tecnologia moderna". Larijani foi assessor de segurança nacional antes de renunciar a esse cargo, no ano passado, depois que transcendessem suas diferenças com o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad. O programa de desenvolvimento nuclear do Irã, que segundo o governo de Teerã tem fins pacíficos, levantou as suspeitas de nações ocidentais pela possibilidade de que este país esteja buscando dotar-se de armamento nuclear. "O problema (dos países ocidentais) é que o povo do Irã fez um grande avanço em vários campos científicos, além de seu desenvolvimento tecnológico para produzir energia nuclear", acrescentou o presidente do Parlamento. As declarações de Larijani foram conhecidas enquanto vários países ocidentais estudam novas sanções internacionais contra o governo de Teerã por rechaçar a interromper seu programa de enriquecimento de urânio. Negociações O alto representante para Política Externa e Segurança Comum da União Européia (UE), Javier Solana, conversou nesta segunda por telefone com o negociador nuclear iraniano, Saeed Jalili. Esse foi o primeiro contato entre os dois após o grupo de potências ocidentais que negociam com o Irã o fim do programa nuclear do país (Estados Unidos, Reino Unido, França, Rússia, China e Alemanha) adotar novas sanções contra Teerã por não interromper o projeto de enriquecimento de urânio. A afirmação foi feita à Agência Efe por fontes européias, que não forneceram, no entanto, detalhes sobre a conversa. Sobre a possibilidade de estabelecer novos contatos nos próximos dias, as fontes destacaram que as "vias de comunicação seguem abertas". A nova aproximação entre Solana e Jalili ocorre cinco dias depois do anúncio das potências de promover novas sanções contra o Irã, visto a rejeição a abandonar o programa nuclear.

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