'Ofensiva de charme' do Irã não atenua preocupações nucleares

O esforço do Irã para se mostrar mais aberto a respeito do seu programa nuclear não está sendo suficiente para afastar os temores ocidentais de que o país estaria desenvolvendo armas nucleares.

FREDRIK DAHL, REUTERS

01 Setembro 2011 | 17h42

Um diplomata que trabalha na Agência Internacional de Energia Nuclear (AIEA, um órgão da ONU) disse que se trata de uma mera "ofensiva de charme." Colegas dele disseram que o próximo relatório trimestral da agência, a ser divulgados nos próximos dias, provavelmente voltará a ressaltar a preocupação com os possíveis aspectos militares da atividade iraniana.

"Eu espero que ele (relatório) seja um pouco mais duro do que o último. Ainda há várias questões relacionadas a possíveis dimensões militares que o Irã se recusa a responder", disse um diplomata ocidental.

"Não há nada particularmente virtuoso e maravilhoso em ser transparente e aberto a respeito de atividades que violam resoluções do Conselho de Segurança da ONU", criticou outro diplomata, europeu. "Para mim, isso ainda soa bastante como ... uma protelação."

Governos ocidentais acusam o Irã de usar seu programa nuclear civil como fachada para desenvolver armas atômicas. A República Islâmica insiste que sua intenção é apenas gerar energia atômica para consumo elétrico e fins científicos.

A AIEA, com sede em Viena, tem a tarefa de vigiar para que a tecnologia nuclear não seja desviada para fins bélicos. A agência frequentemente se queixa da falta de cooperação de Teerã em esclarecer as suspeitas.

Em relatórios anteriores, a agência da ONU pediu ao Irã, em vão, que ofereça acesso imediato a todas as suas instalações nucleares, e também a equipamentos, documentos e técnicos relevantes para a investigação.

No mês passado, o Irã autorizou um inspetor graduado da AIEA a visitar as principais instalações nucleares do país, inclusive a que desenvolve máquinas para o enriquecimento avançado de urânio (processo que, dependendo do grau de pureza do material obtido, pode resultar em combustível para reatores civis ou para armas nucleares).

O Irã disse que essa autorização foi uma prova de que o país oferece "cem por cento de transparência e abertura." A AIEA vinha desde 2008 pleiteando acesso aos locais ligados à fabricação das centrífugas que fazem o enriquecimento de urânio.

Teerã também tem demonstrado alguma flexibilidade na resposta às perguntas da AIEA, e um alto funcionário do setor nuclear disse à TV estatal do país que a agência deveria apresentar "suas principais alegações", junto com provas e documentos relevantes.

Mas um dos diplomatas ocidentais sugeriu que o Irã estava apenas usando a velha tática de afastar qualquer pressão mais incisiva, sem abrir mão das suas atividades nucleares.

"A recente ofensiva de charme dos iranianos não alterou a visão da agência sobre o que o Irã ainda precisa fazer", disse.

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