Ofensiva de Israel em Gaza deixa 33 palestinos mortos

Israel matou 33 palestinos neste sábado emsua mais mortífera e ampla incursão na Faixa de Gaza desde aretirada, em 2005, alimentando temores de que um conflito maiorpossa tirar dos trilhos as recentes conversas de pazpatrocinadas pelos EUA. Pelo menos 68 palestinos foram mortos em quatro dias deintensos ataques aéreos e incursões israelenses no pequenoterritório controlado pelo Hamas, casa de 1,5 milhão de pessoase que fica espremido entre Israel, Egito e o Mediterrrâneo. Israel afirma estar respondendo a foguetes lançados nafronteira por militantes e que mataram um homem na cidade deSderot, na quarta-feira, ferindo outras pessoas na importantecidade de Ashkelon. Autoridades palestinas disseram que o número de mortes emGaza neste sábado foi o maior registrado em um só dia desde2002. Dos 33 palestinos mortos, 16 eram civis e os outros erammilitantes, de acordo com funcionários de um hospital e membrosdo movimento islâmico, que tomou o território em junho de 2007após derrotar as forças do Fatah, movimento mais secular ligadoao presidente Mahmoud Abbas. Um dos mortos civis era uma mãe que preparava café-da-manhãpara seu filho quando foi atingida por um tiro, segundoparentes e fontes do hospital. Uma garota e seu irmão tambémestão entre os mortos. Autoridades palestinas disseram que as forças de Israelavançavam rumo às cidades de Beit Hanoun e Jabalya,configurando a maior e mais profunda incursão em Gaza desde2005, quando Israel retirou seus assentados e tropas doterritório após 38 anos. Os Estados Unidos conclamaram Israel na sexta-feira a"considerarem as conseqüências" de qualquer ação antes dapróxima semana, quando está agendada uma visita da secretáriade Estado Condoleezza Rice. Mais derramamento de sangue pode acabar frustrando asesperanças de Washington de um acordo para um Estado Palestinoantes que o presidente George W. Bush deixe o cargo, em janeirode 2009. Abbas, que continua hostil ao Hamas, classificou as açõesde Israel de "inacreditáveis" e disse que está acontecendo"mais do que um Holocausto" na região, em referência aoscomentarios feitos na sexta-feira pelo vice-ministro da Defesa,Matan Vilnai. Vilnai disse que os palestinos poderiam enfrentar um"sloah" se os ataques com foguete não cessassem. Depois,afirmou que quis dizer com isso "desatre" em vez de"holocausto", este último o significado mais comum da palavra.

NIDAL AL-MUGHRABI, REUTERS

01 de março de 2008 | 10h40

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