Ofensiva deixa ao menos US$ 1,4 bilhão em prejuízos em Gaza

Primeiro balanço de danos aponta que reconstrução do território palestino pode levar mais de cinco anos

Associated Press,

15 de janeiro de 2009 | 11h35

A ofensiva israelense contra a Faixa de Gaza provocou pelo menos US$ 1,4 bilhão (cerca de R$ 3,3 bi) em danos causados em construções, estradas, sistema de saneamento, linhas de eletricidade, além de outras infraestruturas no já empobrecido território palestino, segundo estimam economistas palestinos. Eles afirmam que a reconstrução da região, atualmente controlada pelo Hamas, pode levar mais de cinco anos.   Veja também: Israel bombardeia sede da ONU na Faixa de Gaza ONU: há elementos para encerrar invasão 'agora'  Número de mortos em Gaza já passa de mil  Conflito em Gaza vira guerrilha urbana  Secretário-geral da ONU apela por trégua Especial traz mapa com principais alvos em Gaza  Linha do tempo multimídia dos ataques em Gaza  Bastidores da cobertura do 'Estado' em Israel  Conheça a história do conflito entre Israel e palestinos   Veja imagens de Gaza após os ataques      O Exército israelense afirma que bombardeou cerca de 2.500 alvos ligados ao grupo militante islâmico desde 27 de dezembro, incluindo 250 túneis usados para o tráfico de armas na fronteira com o Egito e grandes depósitos de armas e foguetes. Ainda que a ofensiva seja interrompida, a comunidade internacional começa a se mobilizar para o grande desafio após o conflito. Os quatro maiores arrecadadores europeus dos palestinos - Ministérios de Relações Exteriores da França, Noruega, a Comissão de Relações Exteriores da União Europeia e o enviado especial para o Oriente Médio - se encontram em Paris nesta quinta para discutir a reconstrução e a possibilidade de organizar uma conferência de doadores.   A última conferência, realizada en dezembro de 2007, conseguiu a promessa de US$ 7,7 bilhões em ajuda até 2010. Entretanto, os doadores podem encontrar problemas para honrar o compromisso por conta da crise financeira. Outra preocupação é a de que o cessar-fogo inclua o fim do bloqueio econômico imposto por Israel e Egito ao território palestino depois que o Hamas tomou o controle e expulsou as forças do presidente palestino, Mahmoud Abbas, que agora lidera a Cisjordânia. "Você não pode reconstruir Gaza sem as fronteiras abertas", afirmou Tor Wennesland, alto diplomata norueguês nos territórios palestinos.   Em qualquer proposta de acordo, os rivais Abbas e Hamas deverão encontrar um meio de trabalho conjunto, não só para monitorar as fronteiras, mas também nos projetos de reconstrução. Com mais de mil mortos e 4 mil feridos, os hospitais estão superlotados e o sistema de saúde está perto do colapso. Em dezembro, o desemprego chegou perto do 50%, com 3.900 trabalhadores palestinos de indústrias israelenses expulsos. Além disso, 80% da água potável do país é de qualidade inferior, o fornecimento de eletricidade é interrompido frequentemente e centenas de galões de esgoto são despejados no mar todos os dias por conta da falta de tratamento sanitário.   Economistas palestinos acreditam que um novo bloqueio econômico contra Gaza é impensável, especialmente com a destruição dos túneis de tráfico de armas - que também transportavam alimentos. Segundo Mohammad Shtayyeh, que dirige um conselho de desenvolvimento econômico palestino e serve de mediador entre os doadores e o governo de Abbas, os conflitos provocaram US$ 1,4 bilhão em danos nos primeiros 15 dias. O valor inclui US$ 300 milhão em danos na cidade de Rafah, na fronteira com o Egito; US$ 135 milhões na destruição de casas e US$ 35 milhões em infraestruturas. Pelo menos 30 bases do Hamas, 15 ministérios e o complexo de governo do Hamas.

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