Ofensiva israelense deixou 80 mil desabrigados palestinos

ONU diz que a crise humana não terminou com a trégua e pede a abertura de corredores humanitários

Jamil Chade, O Estado de S. Paulo

21 de janeiro de 2009 | 07h58

As três semanas de conflito na Faixa de Gaza deixaram 80 mil pessoas desabrigadas e a reconstrução da região atacada levará anos para ser concluída, segundo dados divulgados ontem, em Genebra, pelas Nações Unidas e o Comitê Internacional da Cruz Vermelha. A ONU anunciou que começou a enviar à região psicólogos para ajudar crianças e famílias a superar os traumas do conflito.   Veja também:  Exército israelense conclui retirada militar Chefe da ONU pede inquérito em Gaza Especial traz mapa com principais alvos em Gaza  Linha do tempo multimídia dos ataques em Gaza  Bastidores da cobertura do 'Estado' em Israel  Conheça a história do conflito entre Israel e palestinos  Veja imagens de Gaza após os ataques       "Gaza hoje é uma área que parece ter sofrido um enorme terremoto. Milhares de pessoas não têm para onde ir", afirmou Guido Sabatinelli, responsável de Saúde da ONU nos territórios ocupados palestinos. "A crise humana não vai terminar com o cessar-fogo. Precisamos ter corredores humanitários abertos e de liberdade para que bens possam entrar em Gaza", afirmou.   Segundo Sabatinelli, 1.300 mortes foram confirmadas - 410 de crianças e adolescentes de até 16 anos. Os feridos já somam mais de 5,3 mil, dos quais 300 tiveram pernas ou braços amputados.No total, 53 estabelecimentos da ONU e de organismos internacionais foram atingidos, entre eles escolas e postos de saúde. Cerca de 400 mil pessoas estão sem água encanada.   A maioria dos desabrigados está dormindo em escolas - apenas em locais mantidos pela ONU são 51 mil pessoas - e o restante está vivendo em casa de parentes. "No total, 80 mil pessoas estão sem casa", afirmou Dorotea Krimitsas, porta-voz do Comitê Internacional da Cruz Vermelha. "Vai levar muito tempo para reconstruir a região", disse.   Depois do início do cessar-fogo, há três dias, 5 mil pessoas deixaram os abrigos da ONU. Mas, até ontem, quase todos já haviam retornado, pois descobriram que suas casas estavam destruídas.   Com as escolas ocupadas por desabrigados em toda a Faixa de Gaza, as aulas, que normalmente teriam começado no dia 17, foram adiadas pelo menos até fevereiro. A Unicef também enviou 70 psicólogos para atender famílias traumatizadas e divulgou que espera colocar 40 mil crianças nas escolas a partir de fevereiro.

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