Ofensiva israelense deve sepultar esforço de paz

Diante dos sinais de que a campanha israelense será dura e longa, violência pode atingir níveis mais altos

Reuters,

28 de dezembro de 2008 | 00h35

O ataque aéreo de Israel na Faixa de Gaza envia o sinal de que a violência em níveis mais altos deve voltar a permear o conflito entre israelenses e o movimento radical Hamas, restrito nos últimos nove meses ao confronto verbal e aos disparos de foguetes por parte dos extremistas palestinos. O processo de paz na região, já em estado terminal nos últimos dias do governo americano de George W. Bush, pode ser definitivamente sepultado com a nova onda de violência. Vários fatores apontam para a deterioração da situação que se segue à expiração do acordo de cessar-fogo, uma semana atrás. Veja também:Conheça a história do conflito entre Israel e palestinosHamas pede nova Intifada contra Israel após ataquesSobe para 225 número de mortos em ataque de Israel em GazaOlmert diz que operação em Gaza pode levar 'mais tempo'Europa pede fim dos ataques; EUA culpam Hamas Itamaraty condena 'reação desproporcional' de IsraelAbbas pede ajuda; Liga Árabe convoca reunião de urgênciaReação palestina mata israelense; Hamas promete resistênciaAtaque israelense em Gaza espalha protestos no mundo árabeIrã enviará navio com ajuda para Gaza, diz TV estatalVeja imagens de Gaza após os ataques     O Ministério da Defesa de Israel assinala que está pronto para empreender ações mais abrangentes contra o Hamas em Gaza, incluindo o assassinato seletivo de líderes do grupo, e tem deixado claro que se prepara para uma campanha potencialmente longa. "Enfrentaremos um período que não será fácil nem curto e exigiremos (das tropas) determinação e perseverança até que conquistemos as mudanças necessárias para controlar a situação no sul", disse o ministro da Defesa, Ehud Barak. O Hamas, logo depois do início da ofensiva, pediu vingança, exortando "todos os combatentes a responder à agressão sionista". O grupo não especificou quais seriam essas ações, mas um combatente revoltado com a visão dos corpos de seus camaradas pode ganhar incentivo para explodir-se em cafés, restaurantes e ruas de Israel. "Todas as opções da resistência palestina para atacar o inimigo sionista estão abertas", declarou o Hamas. Os radicais do Hamas dispararam uma salva de foguetes contra o território israelense, matando uma mulher. Nos últimos dois meses, os quase artesanais e pouco precisos foguetes do Hamas vinham causando poucos danos do lado israelense. Mas os extremistas poderiam ter foguetes de mais longo alcance, capazes de atingir a cidade costeira israelense de Ashkelon. A ministra de Relações Exteriores de Israel, Tzipi Livni, que espera derrotar os falcões da linha dura israelense – como o ex-premiê Binyamin Bibi Netanyahu, do Likud – nas eleições de fevereiro, tem reiterado que o controle da Faixa de Gaza pelo Hamas deve terminar, uma vez que os radicais nunca estarão dispostos à paz. Os bombardeios israelenses causaram ódio e revolta não só em Gaza, mas em todas as áreas palestinas. Militantes palestinos de Jerusalém Oriental, Ramallah e Hebron (as duas últimas, sob controle da Autoridade Palestina, na Cisjordânia) iniciaram seus protestos no sábado, 27, e o presidente palestino, Mahmud Abbas (do Fatah, facção rival do Hamas), condenou a ofensiva e exigiu "o fim imediato da agressão". A Faixa de Gaza é a arena mais sangrenta de um conflito militar que pode ir além de suas fronteiras. Alguns analistas militares não descartam a possibilidade do que chamam de "guerra proxy" – um conflito no qual as partes se utilizam de terceiros – na região entre regimes árabes moderados, como o Egito, e Estados de linha dura, como o Irã e a Síria, que apóiam o Hamas. Como conseqüência de uma longa batalha em Gaza, o Fatah de Abbas pode perder força e tornar-se politicamente marginalizado entre os palestinos.

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