Ofensiva na Faixa de Gaza é boa para os palestinos, diz Israel

Forças israelenses combatem nos subúrbios; Israel estão tentando "varrer" palestinos de Gaza, diz Abbas

Agências internacionais,

13 de janeiro de 2009 | 12h03

 O ministro da Defesa israelense, Ehud Barak, afirmou nesta terça-feira, 13, que as forças militares continuarão sua campanha contra o Hamas na Faixa de Gaza independente dos esforços diplomáticos por um cessar-fogo. No dia em que os soldados iniciaram as ações nos subúrbios da Cidade de Gaza, a chanceler israelense, Tzipi Livni, declarou que a ofensiva no território também é de interesse do povo palestino. O presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, acusou Israel de buscar "varrer" o povo palestino da Faixa de Gaza, pelo fato de o país se negar a interromper sua ofensiva contra o Hamas. A ação militar, iniciada em 27 de dezembro, já deixou mais de 900 palestinos mortos.   Veja também: Forças israelenses intensificam ofensiva nos subúrbios de Gaza Aumenta suspeita do uso de armas ilegais no conflito em Gaza Secretário-geral da ONU lidera esforço diplomático Tropa fica sob fogo vindo da Jordânia, afirma Israel Conflito em Gaza vira guerrilha urbana  Secretário-geral da ONU apela por trégua Especial traz mapa com principais alvos em Gaza  Linha do tempo multimídia dos ataques em Gaza  Bastidores da cobertura do 'Estado' em Israel  Conheça a história do conflito entre Israel e palestinos  Veja imagens de Gaza após os ataques        Forças terrestres israelenses combateram militantes palestinos nas ruas bastante povoadas de Cidade de Gaza na manhã desta terça-feira. Foram destruídas dezenas de casas e muitos moradores amedrontados fugiam em busca de abrigo dos tiros e explosões que ecoavam à distância. A ofensiva de Israel no bairro Tel Hawwa foi a área mais profunda ocupada pelo Exército em Cidade de Gaza desde o início da ofensiva, em 27 de dezembro. Os militares estão agora apenas 1,5 quilômetro distantes do densamente ocupado centro da cidade.   "Esse é o 18º dia da agressão israelense contra nosso povo, que se torna mais feroz a cada dia conforme o número de vítimas aumenta", afirmou Abbas em Ramallah, na Cisjordânia. "Israel está buscando com essa agressão varrer nosso povo dali", disse o presidente, durante a abertura de um encontro do comitê executivo da Organização pela Libertação da Palestina (OLP). O Hamas deu respostas controversas ao plano de trégua do Egito. Segundo o subchefe do grupo exilado na Síria, Musa Abu Marzuk, há a possibilidade do plano ser aceito, mascom algumas modificações. Ja o representante das negociações no Cairo Moussa Abu Marzouq afirmou que o Hamas tem "observações substanciais" sobre a posição da resistência.   Segundo o jornal israelense Haaretz, Barak disse que a operação militar ainda está em curso. "Nos ouvimos ontem, e respeitamos, o pedido do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e estamos monitorando o tratamento da iniciativa egípcia" de negociações pela trégua, afirmou. O ministro referia-se ao pedido de Ban: "minha mensagem é simples, direta e precisa: os combates têm que parar", disse o diplomata na sede da ONU, em Nova York, na véspera de sua partida para um giro pelo Oriente Médio, nesta terça-feira.   A chanceler israelense e candidata ao governo nas eleições parlamentares de fevereiro, afirmou que a ofensiva corresponde também aos interesses do povo palestino, assim como o de Israel. Segundo Livni, o sucesso da operação ajudaria as forças moderadas na região, incluindo os palestinos que acreditam na criação de dois Estados como solução para o conflito.   O chefe do Estado-Maior para a Defesa (Jemad) em Israel, Gabi Ashkenazi, disse no Comitê de Defesa e Assuntos Exteriores do Parlamento israelense (Knesset) que "resta muito a fazer" na Faixa de Gaza. "Os soldados estão fazendo um trabalho extraordinário, conseguimos prejudicar o Hamas e sua infraestrutura, seu regime e seu braço armado, mas ainda resta muito a fazer", disse. "A batalha é complexa e contínua. Continuaremos trabalhando de acordo com o plano das forças de defesa de Israel e com as instruções do degrau político", acrescentou.   O rival de Livni nas eleições, o líder da oposição em Israel e chefe do partido direitista Likud, Benjamin Netanyahu, disse que a ofensiva israelense na Faixa de Gaza "é uma guerra justa" e que o governo conta com seu apoio. "O Exército (israelense) realiza um trabalho que sai do comum. Combatemos uma guerra justa, com meios justos, na qual, infelizmente, ocorrem mortes de civis", afirmou Netanyahu, candidato favorito - segundo as pesquisas - para as eleições gerais em Israel de 10 de fevereiro. O dirigente conservador insistiu em que, apesar da ofensiva em Gaza, Israel deve realizar o pleito, "porque, caso contrário, daríamos aos terroristas uma tremenda vitória, capturariam nossa democracia".   Conflito   Autoridades médicas palestinas afirmaram que mais de 900 palestinos, a metade civil, já morreram na ofensiva. Israel lançou os ataques com o objetivo declarado de interromper o lançamento de foguetes vindos da Faixa de Gaza em seu território. O primeiro-ministro Ehud Olmert disse que a operação prosseguirá com "punhos de ferro", apesar dos apelos internacionais pelo fim da violência.   O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, viaja à região nesta terça-feira para pressionar por um cessar-fogo. As testemunhas palestinas dizem que as forças de Israel entraram 300 metros em Tel Hawwa, uma vizinhança de prédios altos no extremo sudeste de Cidade de Gaza. Médicos palestinos informaram sobre pelo menos 16 pessoas mortas nesses confrontos, ainda que o Exército de Israel sugira que o número pode ser bem maior. Os sons do confronto podiam ainda ser ouvidos na cidade, de 400 mil habitantes. Havia fumaça e destruição em alguns pontos atacados.   Os militares israelenses informaram que houve perto de 60 ataques aéreos durante a noite, tendo como alvos militantes do Hamas que estavam em um hotel, uma residência e uma mesquita. Três soldados israelenses foram feridos nos confrontos. O lançamento de foguetes pelos militantes foi bastante reduzido, porém não parou desde o início da ofensiva. Olmert disse na segunda-feira que a ofensiva acabaria apenas quando o Hamas não mais lançar foguetes no território israelense.   Árabes divididos   O Catar quer sediar um encontro emergencial sobre a situação na Faixa de Gaza. O governo do país já convidou todas as 22 nações árabes para ir até Doha nesta sexta-feira. Porém o Egito, que tenta mediar o confronto entre Israel e o grupo militante palestino Hamas, é contrário à ideia. Outro influente país na região, a Arábia Saudita, também se opôs à reunião. Um funcionário do Catar disse que apenas o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, e o Líbano até agora confirmaram oficialmente a presença. A fonte falou sob condição de anonimato. A Al-Jazira informou que o presidente da Síria, Bashar al-Assad, também comparecerá. Os árabes estão bastante divididos com relação à crise em Gaza.   Um grupo de 21 parlamentares do Kuwait afirmou nesta terça-feira que o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, "não é bem-vindo" em um encontro de nações árabes para discutir economia, previsto para a semana que vem, em Cidade do Kuwait. Os deputados criticam a resposta de Abbas à ocupação de Israel na Faixa de Gaza. Os parlamentares, a maioria muçulmanos sunitas e xiitas, na Casa de 50 membros, rejeitaram a visita de Abbas, que se iniciaria na segunda-feira. A presença de Abbas foi apontada como indesejável   Abbas mostrou "posturas negativas e fracas sobre o massacre sionista sobre o povo palestino aprisionado em Gaza", segundo os deputados. Os parlamentares inclusive pediram ao governo que declare a visita de Abbas "indesejada". Um grupo de 21 parlamentares do Kuwait afirmou nesta terça-feira que o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, "não é bem-vindo" em um encontro de nações árabes para discutir economia, previsto para a semana que vem, em Cidade do Kuwait. Os deputados criticam a resposta de Abbas à ocupação de Israel na Faixa de Gaza. Os parlamentares, a maioria muçulmanos sunitas e xiitas, na Casa de 50 membros, rejeitaram a visita de Abbas, que se iniciaria na segunda-feira. A presença de Abbas  foi apontada como indesejável Abbas mostrou "posturas negativas e fracas sobre o massacre sionista sobre o povo palestino aprisionado em Gaza", segundo os deputados. Os parlamentares inclusive pediram ao governo que declare a visita de Abbas "indesejada".

Tudo o que sabemos sobre:
IsraelpalestinosFaixa de GazaHamas

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.