Oficial acusado por abusos de Abu Ghraib é absolvido

Responsável por prisão iraquiana recebe advertência em julgamento e escapa de punição em regime fechado

Associated Press e Agência Estado,

29 de agosto de 2007 | 11h40

Um tribunal militar dos EUA livrou de qualquer punição em regime fechado o único oficial levado aos tribunais sobre  o escândalo dos abusos na prisão iraquiana de Abu Ghraib. Durante a sentença proferida nesta quarta-feira, 29, o militar apenas foi repreendido pela acusação e foi considerado culpado somente por desobedecer ordens para manter segredo sobre a investigação. Na terça-feira, o júri havia inocentado o tenente-coronel Steven L. Jordan de três acusações relacionadas diretamente aos abusos cometidos contra os detentos na prisão iraquiana. O militar de 51 anos foi absolvido de responsabilidade pela ação de 11 soldados sob seu comando que já foram condenados por seus papéis em Abu Ghraib. Fotografias chocantes mostravam soldados dos EUA rindo enquanto humilhavam os iraquianos. Jordan não aparece em nenhuma foto, mas como diretor do centro de interrogatório da prisão e oficial de mais alta patente no local, ele foi acusado de alimentar um clima que permitiu os abusos. Jordan acabou sendo condenado por uma única acusação: desobedecer a ordem de um general para não discutir a investigação sobre os abusos. Os advogados de defesa admitiram que Jordan enviou e-mails para vários soldados falando sobre a investigação depois de ter se reunido em 2004 com o major-general George Fay. "Vimos (a decisão) como uma grande vitória", disse o advogado de defesa, major Kris Poppe. Jordan poderia ter sido sentenciado a até cinco anos de prisão, apesar de a promotoria ter pedido uma reprimenda e uma multa de um mês de salário, cerca de US$ 7.400. O júri formado por nove coronéis e um general considerou Jordan inocente das acusações de crueldade e maus-tratos por sujeitar detidos a nudez forçada e intimidá-los com cães; negligência no cumprimento do dever por não treinar nem supervisionar adequadamente soldados para regras humanas de interrogatório; e não obedecer ordens legais ao ordenar que cães fossem usados em interrogatórios sem uma aprovação superiora. Assim, o mais alto oficial a ser condenado no escândalo de Abu Ghraib foi o sargento Ivan L. Frederick, um reservista da polícia militar que está cumprindo uma sentença de oito anos de prisão. Hina Shamsi, do grupo Human Rights First, disse que permanece um "fosso de prestação de contas" entre os soldados condenados e os oficiais e autoridades do governo que referendaram as duras técnicas de interrogatório. "Nenhum caso julgado até agora tratou da questão sobre o que aconteceu, por que e até onde na cadeia de comando vai a responsabilidade por tudo isso", disse Shamsi.

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