Oficial americano confirma ataque na Síria, diz CNN

Segundo governo sírio, ofensiva militar na fronteira com Iraque deixou oito mortos e um ferido

Agências internacionais,

27 de outubro de 2008 | 17h57

Um oficial americano confirmou nesta segunda-feira, 27, que o Exército realizou um ataque "bem-sucedido" na Síria no domingo para matar um homem suspeito de ter ligação com a Al-Qaeda, informou a emissora CNN. Falando sob anonimato, ele revelou que o alvo da ofensiva era Abu Ghadiya, um iraquiano suspeito de contrabando de armas na fronteira da Síria com o Iraque. Autoridades sírias condenaram a ofensiva por "violar as leis internacionais", alegando que oito morreram e um ficou ferido. Veja também:Síria cobra EUA por bombardeio que matou 8 civis Segundo fontes oficiais sírias, o ataque foi cometido por quatro helicópteros dos EUA que vieram do Iraque. A televisão síria divulgou nesta segunda imagens do enterro coletivo das vítimas, ao qual milhares de pessoas assistiram, entre elas autoridades locais, moradores e parentes dos mortos. Os relatos reproduzidos pela televisão durante o funeral indicam que entre as vítimas havia um guarda e quatro de seus filhos, com idades entre 16 e 24 anos. "Eram inocentes" e tudo o que faziam "era ganhar o pão de cada dia", afirmou um dos habitantes locais, que não foi identificado, e que qualificou o episódio como "uma ação covarde contra inocentes desarmados." A Síria afirma que o ataque foi dirigido contra um solar em construção na região fronteiriça com o Iraque. Além dos oito mortos, duas pessoas ficaram feridas, entre elas a esposa do guarda, que disse à agência de notícias estatal Sana que alguns dos soldados americanos falavam árabe. "Eles saíram dos helicópteros e entraram na loja onde vivia com meus filhos e minha família", acrescentou. A televisão síria também divulgou as imagens dos oito corpos no necrotério e mostrou sinais de tiros em seus corpos ensangüentados. O solar em construção não tinha qualquer tipo de proteção. Reação Por enquanto, como resposta a este ataque, a Síria convocou o encarregado de negócios dos EUA em Damasco, segundo a Sana, mas não se sabe quando o diplomata se apresentará perante as autoridades sírias. Não houve uma confirmação oficial da força militar dos EUA no Iraque, mas não seria a primeira vez que tropas americanas cruzam as fronteiras iraquianas em sua luta contra os insurgentes. Em declarações à cadeia catariana de televisão Al-Jazira, uma porta-voz do Ministério de Informação sírio, Reem Haddad, qualificou a ação de como uma "vingança pessoal" de parte do governo de George W. Bush contra a Síria. "Não há dúvida de que haverá algum tipo de reação da parte da Síria", acrescentou a fonte oficial. Em ocasiões anteriores, nas quais a Síria foi alvo de ataques estrangeiros contra seu território, as autoridades sírias se limitaram a condenar as agressões e a ressaltar seu direito de responder no momento oportuno. Foi o que ocorreu após um ataque aéreo israelense em setembro de 2007 contra uma instalação militar síria que, segundo Washington, fazia parte de um projeto para desenvolver energia nuclear. O mesmo aconteceu após um ataque israelense em outubro 2003 contra um suposto campo de treinamento palestino situado a 15 quilômetros de Damasco. O único incidente direto entre soldados americanos e sírios foi registrado ao sul de Abu Kamal em junho de 2003. Vários guardas fronteiriços sírios ficaram feridos em uma troca de tiros com soldados americanos, quando estes atacaram um comboio no qual achavam que viajava o ex-presidente iraquiano Saddam Hussein. Naquela ocasião, o regime sírio se limitou a apresentar uma queixa formal ao então embaixador americano em Damasco Theodore Kattouf. Repercussão Em Londres, o ministro de Relações Exteriores sírio, Walid al-Moualem, acusou nesta segunda os Estados Unidos de terem perpetrado "um ato de agressão terrorista" contra seu país. Ele se reuniu com o chanceler britânico, David Miliband, e em declarações posteriores aos jornalistas rejeitou a possibilidade de ter sido um erro, já que a ação foi executada à luz do dia. Se isso voltar a ocorrer, "nós defenderemos nosso território", acrescentou. Em Washington, o porta-voz do Departamento de Estado, Sean McCormach, não quis confirmar ou desmentir a participação americana nesta ação, mas destacou a falta de controle oficial na fronteira entre a Síria e o Iraque.

Tudo o que sabemos sobre:
SíriaEUA

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.