Olmert admite concessões para alcançar a paz com a Síria

Primeiro-ministro afirma que acordo pode ser doloroso para Israel, mas não faz referências às Colinas de Golan

Agências internacionais,

21 de maio de 2008 | 14h47

Israel e Síria anunciaram nesta quarta-feira, 21, que estão em negociações indiretas com o objetivo de conseguir um acordo de paz amplo mediado pela Turquia. O primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, confirmou o diálogo com os inimigos de longa data e alertou que o processo não será fácil e envolverá concessões difíceis. O premiê não especificou de que tipo de privilégios teria que abrir mão, mas já mencionou em outras ocasiões que estaria disposto a ceder as Colinas de Golan, ocupadas por Israel em 1967, em troca da paz.  Veja também:Israel e Síria anunciam negociação de pazEntenda a disputa sobre as Colinas de Golan Em comunicados quase simultâneos, os dois governos disseram ter "a intenção de conduzir essas conversas de boa-fé e com a mente aberta", com o objetivo de alcançar uma "paz abrangente". As duas nações agradeceram à Turquia pela ajuda. O país de maioria muçulmana tem boas relações tanto com Israel quanto com a Síria. Olmert afirmou ainda que Israel está em negociações secretas com o governo sírio há cerca de um ano. Segundo o premiê, os contatos e o anúncio desta quarta marcariam o "fim de uma fase" e o início das negociações de paz. Em abril, houve relatos de que a Turquia estaria mediando negociações entre os dois lados que, tecnicamente, ainda estão em guerra por conta da disputa sobre as Colinas do Golã, ocupadas por Israel na guerra de 1967. Segundo a BBC, um ministro do governo sírio disse que Olmert havia oferecido devolver as Colinas de Golan em troca da paz. Por meio de sua porta-voz, a Casa Branca afirmou que a notícia não foi recebida com surpresa pelos Estados Unidos. "Não temos nenhuma objeção a respeito", disse Dana Perino. "Esperamos que essa seja uma discussão que debata várias inquietudes que temos com a Síria, como por exemplo, o apoio do governo sírio ao terrorismo e a repressão de seu povo". Em setembro, aeronaves israelenses lançaram ataques à Síria tendo como alvo uma instalação que, segundo os Estados Unidos, era um reator nuclear não concluído e construído pela Coréia do Norte. Em fevereiro, um alto líder do Hezbollah foi assassinado na capital síria, Damasco, em um ataque atribuído às forças israelenses. A paz com a Síria exigiria de Israel a retirada das Colinas de Golan, uma área estratégica capturada em 1967, na Guerra dos Seis Dias, e depois anexada. Hoje, as colinas são morada para 18 mil israelenses e quase o mesmo número de árabes drusos - estes se consideram cidadãos sírios. As forças dos dois países são separadas por soldados das Nações Unidas.  Os israelenses em geral consideram o Golan uma importante barreira contra um eventual ataque da Síria. Com seus vinhedos e pequenas pousadas, a região também é uma atração popular entre os turistas israelenses. Poucas semanas atrás, Olmert passou um feriado na região. Israel, por sua vez, quer que a Síria - que oferece refúgio para grupos militantes como o Hamas e a Jihad Islâmica e apóia o grupo libanês xiita Hezbollah - se distancie dessas organizações e também do Irã. Essas condições, porém, parecem ter sido retiradas ou ao menos flexibilizadas no momento.  Apoio palestino O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, disse esperar que Israel e Síria alcancem uma "solução pacífica". O líder palestino qualificou de "animadoras" as notícias sobre o reatamento das negociações indiretas com a mediação da Turquia, e acrescentou que há sinais encorajadores procedentes do Egito a respeito da negociação para um cessar-fogo entre o Estado judeu e as facções palestinas em Gaza. "Há sinais encorajadores procedentes do Cairo sobre as negociações para uma trégua; espero que as negociações entre israelenses e sírios sejam bem-sucedidas", manifestou Abbas. O presidente da ANP também fez um apelo ao movimento islamita Hamas, que controla a Faixa de Gaza há quase um ano, para que devolva o controle desse território e aceite a convocação de eleições antecipadas. Abbas também teve se manifestou acerca de Jerusalém, um dos símbolos mais importantes da luta nacional palestina. "Jerusalém Oriental nos pertence, e cedo ou tarde a recuperaremos", reforçou.

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