Olmert diz que Exército de Israel é o mais ético do mundo

De saída, primeiro-ministro israelense defende ofensiva em Gaza e pede que direita continue negociação de paz

Agências internacionais,

31 de março de 2009 | 11h58

Em seu discurso de despedida, o primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, afirmou que o Exército israelense é o que tem mais ética no mundo e que a recente ofensiva lançada na Faixa de Gaza tornou isso evidente. Olmert ainda defendeu a operação dos militares no território palestino, em janeiro deste ano, e pediu para que o novo governo de direita, liderado por Benjamin Netanyahu, mantenha-se no caminho para um acordo de paz e que a questão seja o foco do próximo Executivo.

 

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Na véspera do discurso de Olmert endossando a ação em Gaza, a Justiça Militar israelense decidiu arquivar definitivamente o inquérito que conduzia sobre supostos abusos cometidos por soldados de Israel contra civis palestinos durante as três semanas de ofensiva na Faixa de Gaza, entre dezembro e janeiro. A justificativa, segundo o chefe do Judiciário do Exército, o general Avichai Mendelblit, é que as denúncias "têm por base rumores e carecem de respaldo".

 

Em 15 de fevereiro, militares que integraram a chamada Operação Chumbo Grosso relataram, durante uma palestra em uma academia militar, violações contra civis - que acabaram vazando para a imprensa. Entre os abusos mais chocantes, estão histórias de um atirador de elite que disparou numa idosa e de tiros contra outra mulher que teria se aproximado de uma unidade israelense. Há ainda o relato do assassinato, também por um atirador de elite, de uma mãe e dois filhos que não teriam obedecido ao comando dos militares e, ao invés de virar à direita, viraram à esquerda. Com a divulgação dos testemunhos pelo jornal Haaretz, ONGs israelenses exigiram a abertura de um inquérito independente. Mas a investigação ficou a cargo do Exército.

 

Olmert ressaltou ainda os trabalhos de seu governo de centro-esquerda em negociar a paz com os vizinhos. "Nossos ávidos esforços pela paz foram reconhecidos pela comunidade internacional", afirmou. Ele ainda pediu especificamente para que Netanyahu continue as conversas com a Síria sobre a disputa pelas Colinas de Golan, processo iniciado por Olmert.

 

"Deixo a chefia de governo sem o mínimo ressentimento", disse Olmert sobre seu mandato, marcado por duas guerras - a da Faixa de Gaza e a do Líbano, em 2006 -, e por suspeitas de corrupção. Olmert chegou à chefia de Governo em janeiro de 2006 após o derrame sofrido pelo então primeiro-ministro israelense Ariel Sharon. Dois meses depois, Olmert conquistou a permanência do quarto em eleições gerais.

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