Olmert diz ter pedido abstenção dos EUA para resolução da ONU

Premiê israelense afirma que secretária de Estado ficou envergonhada por ter arquitetado a proposta

Efe e Associated Press,

13 Janeiro 2009 | 08h14

O primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, telefonou para o presidente americano, George W. Bush, para pedir que a secretária de Estado Condoleezza Rice se abstivesse na votação da resolução das Nações Unidas para exigir um cessar-fogo na Faixa de Gaza, como contou o próprio premiê na segunda-feira, 12, aos jornalistas. Segundo Olmert, ele pediu para falar com Bush dez minutos antes do Conselho de Segurança iniciar a votação sobre a resolução, que conta com a oposição de Israel.   Veja também: Tropas ficam sob fogo vindo da Jordânia Aumenta suspeita do uso de armas ilegais no conflito em Gaza Exército reforça controle nas áreas urbanas de Gaza Brasileiros em Israel protestam contra o PT  Conflito em Gaza vira guerrilha urbana  Secretário-geral da ONU apela por trégua Especial traz mapa com principais alvos em Gaza  Linha do tempo multimídia dos ataques em Gaza  Bastidores da cobertura do 'Estado' em Israel  Conheça a história do conflito entre Israel e palestinos  Veja imagens de Gaza após os ataques        "Quando vimos que a secretária de Estado, por razões que não entendemos, queria votar a favor da resolução da ONU, liguei para o presidente Bush e me disseram que ele estava discursando na Filadélfia", contou Olmert. "Eu disse: 'não me importa. Quero falar com ele agora mesmo'", acrescentou o premiê israelense. "O tiraram do palanque em que estava discursando, o levaram para outro lugar e falei com ele. Disse: 'não podem votar a favor da resolução'. Bush teria contestado Olmert, dizendo que não estava ciente do texto. Diante da conversa, o premiê disse a Bush: "Confio em você. Não pode votam a favor".   Olmert seguiu contanto como influenciou Bush, que deixará a presidência dos EUA no dia 20. "Bush deu a ordem para a secretária de Estado e ela não votou a favor de uma resolução que ela tramou, redigiu, organizou e manobrou. Rice ficou bastante envergonhada e se absteve no final", assegurou o premiê.   A resolução 1.860, adotada pelo Conselho de Segurança na quinta-feira, é de cumprimento obrigatório para as duas partes, mas que resistem a deter suas ações apesar das negociações mediadas pelo Egito por uma trégua. A resolução foi aprovada por 14 dos 15 membros do Conselho de Segurança da ONU, e apenas os EUA se abstiveram.   A secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice, afirmou na semana passada que seu país "apoia totalmente" a resolução da ONU, porém se absteve para "ver os resultados da mediação egípcia". O conflito deixou centenas de milhares de palestinos que vivem em Gaza em um estado de desespero pela falta de alimentos, água, combustível e auxílio médico. A situação deve piorar ainda mais, por causa dos ataques contra funcionários encarregados da ajuda humanitária.

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