Olmert e Abbas discutem paz; palestinos se enfrentam

Em meio a protestos na Cisjordânia, líderes se encontram com Bush e dão continuidade a negociações

Agências internacionais,

28 de novembro de 2007 | 08h21

Menos de 24 horas depois de firmado um compromisso entre israelenses e palestinos os presidentes dos EUA, George W. Bush, e da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, inauguraram nesta quarta-feira, 28, junto com o premiê israelense, Ehud Olmert, as negociações para a criação de um Estado palestino independente em coexistência pacífica com Israel.   Veja também:  Cúpula dá até fim de 2008 para acordo  Gafes e falhas marcam reunião  Entenda a conferência de paz de Annapolis   Cronologia das negociações de paz     Paralelamente ao encontro, que acontece na cidade americana de Annapolis, um palestino ficou gravemente ferido na Cisjordânia depois que homens das forças de segurança fiéis a Abbas abriram fogo contra manifestantes que acompanhavam o funeral de um homem morto na terça-feira durante protestos contra o processo de paz.   Após intensos esforços de diplomacia para tentar uma declaração conjunta de israelenses e palestinos durante a Conferência da Paz, Bush reuniu-se separadamente com Olmert e Abbas antes do encontro dos três líderes. Após a reunião, Israelenses e palestinos anunciaram a criação de um comitê de coordenação das negociações de paz, liderado pelos dois lados e supervisionado pelos EUA.   Depois da Cúpula realizada sob baixa expectativa e muito ceticismo em Annapolis, a administração Bush anunciou nesta quarta-feira que o presidente convidou os dois líderes para inaugurar as negociações na Casa Branca. "Os dois lados concordaram ainda em se encontrarem no dia 12 de dezembro para dar continuidade ao processo", disse a secretária de Estado americano, Condoleezza Rice.   Segundo a BBC, o presidente americano prometeu "dedicação pessoal" sua e disse que vai investir recursos do governo dos Estados Unidos para que se encontre uma solução no Oriente Médio.   Após o pronunciamento de Bush, Mahmoud Abbas disse que as negociações devem trazer uma paz completa e fez as tradicionais exigências palestinas: o fim da ocupação israelense e as construções de assentamentos, a libertação de prisioneiros e a ajuda aos palestinos a estabelecer a força da lei. Ele disse ainda que os palestinos esperam um futuro sem postos de checagem, prisões e muros, e com Jerusalém como capital.   Já Ehud Olmert disse que Israel vai ajudar refugiados palestinos a encontrar um futuro no novo Estado Palestino e disse que as negociações devem solucionar todos os principais temas do conflito.   Olmert afirmou que foi à conferência em Annapolis para conseguir uma reconciliação histórica com os palestinos e com todas as nações árabes, apesar da violência que os cidadãos israelenses sofrem. Ele disse que Israel está preparado para fazer concessões dolorosas para obter a paz.   Hamas   Uma importante autoridade do Hamas, facção islâmica que controla a Faixa de Gaza, descreveu como "perda de tempo" a declaração conjunta. "O que nós vimos é apenas uma festa de despedida para George Bush e uma tentativa sem esperança de retratá-lo como um grande líder que teve sucesso em fazer o que outros líderes norte-americanos fracassaram", disse Ahmed Youssef, renomada figura do Hamas em Gaza.   O Hamas controla desde junho a Faixa de Gaza. O grupo havia dito na segunda-feira, um dia antes da conferência, que não irá cumprir com resoluções tomadas em Annapolis.   Bush aproveitou para vincular a resolução da questão palestina ao problema do terrorismo: "O momento é bom para as negociações porque está em curso uma batalha pelo futuro do Oriente Médio e nós não podemos deixar que os extremistas ganhem. Com seus atos de violência e desprezo pela vida humana, os extremistas tentam impor ao povo palestino uma perspectiva sombria - uma visão que se alimenta da desesperança para semear o caos na Terra Santa. Se essa visão prevalecer, o futuro da região será terror sem fim, guerra sem fim, sofrimento sem fim."   Conflito na Cisjordânia   Mas não é só na Faixa de Gaza que a oposição às negociações têm ganhado força. Após a morte de um palestino em um protesto na terça-feira, milhares de membros de grupos islamitas - inclusive do Hamas - voltaram a se reunir nesta quarta, desta vez para enterrar o manifestante. E, como no dia anterior, o ato terminou em violência, com pelo menos um manifestante gravemente ferido.     De acordo com testemunhas, as forças de segurança leais a Abbas abriram fogo depois que os manifestantes começaram a atirar pedras contra eles.     De acordo com fontes médicas, o homem foi atingido no pescoço. Outras 28 pessoas também ficaram feridas, e dezenas teriam sido presas. Bandeiras de grupos islâmicos foram confiscadas.     Os serviços de segurança culparam o Hamas pelo incidente. "Hoje o Hamas tentou criar instabilidade e caos", justificou o porta-voz da polícia de Hebron, Mohammed Atwan. Par ao grupo islâmico, no entanto, as acusações são "mentiras".   (com Patrícia Campos Mello, do Estadão)

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