Olmert e Abbas se reunirão em meio à crise

O assunto principal do encontro será pautado pelos problemas na fronteira de Gaza com o Egito

EFE

27 de janeiro de 2008 | 06h44

O primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, e o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, voltam a se reunir neste domingo em Jerusalém para promover as negociações de paz, mas a crise na fronteira de Gaza com o Egito centrará suas conversas. O chefe de Governo israelense, segundo fontes oficiais, deve manter esta manhã um encontro com dirigentes dos organismos de segurança, entre eles o comandante das Forças Armadas, o general Gabi Ashkenazi, a fim de analisar a situação, antes de se reunir com Abbas em Jerusalém. O presidente da ANP pedirá a Olmert seu apoio para retomar o controle das passagens fronteiriças de Gaza com o Egito em Rafah - abertas na semana passada por membros do Hamas - e nos outros cinco desse território autônomo com Israel, segundo fontes palestinas da cidade de Ramala, Cisjordânia. O Hamas e os organismos de segurança da ANP que lhe são fiéis foram expulsos de Gaza há sete meses por milicianos islâmicos, que querem negociar independentemente com o Egito o controle na passagem de Rafah. Segundo fontes militares, Israel reforçou o policiamento ao longo dos 240 quilômetros de sua fronteira com o Egito a partir do sul da Faixa de Gaza até a cidade portuária de Eilat sobre o Mar Vermelho. A nova situação na fronteira de Gaza com o Egito obrigaria Israel a levantar uma barreira na extensa fronteira com o país, com o qual assinou um tratado de paz em 1979 após restituir na íntegra a península do Sinai e os poços petrolíferos de Abu Rudeis que ocupou na Guerra dos Seis Dias de 1967. A divisa entre os dois países é vigiada atualmente por patrulhas militares, mas com freqüência é transposta por pessoas que desejam trabalhar em Israel, que usam os serviços de contrabandistas beduínos, afirmam militares. "É só questão de tempo, mas será levantada uma cerca entre Israel e Egito, o que demandará um grande investimento", disse hoje o vice-ministro da Defesa de Israel, Matan Vilnai, ao destacar a extensão da fronteira entre dois desertos, o do Sinai e o do Neguev, no sul de Israel, o que requereria fortes aplicações de dinheiro. Há alguns dias, Vilnai sugeriu por meio de declarações à imprensa local que Israel pode aproveitar a crise para "sair totalmente" da Faixa de Gaza, de onde recuou em 2005. Após a reunião com Olmert, Abbas viajará na próxima quarta-feira ao Egito para se encontrar com o presidente egípcio, Hosni Mubarak, que busca uma aproximação entre seu movimento nacionalista, Fatah, e o Hamas, que no passado criaram um Governo de união nacional de curta duração. Os contatos entre funcionários israelenses do Ministério de Assuntos Exteriores e oficiais das forças de segurança com seus pares egípcios se intensificaram desde que milicianos de Gaza destruíram a cerca fronteiriça com o Egito em Rafah, e facilitaram a entrada no país de milhares de palestinos. O Governo de Olmert está interessado na reconstrução dessa barreira fronteiriça, controlada por Israel até sua saída de Gaza, para evitar a passagem de armas, explosivos e combatentes islâmicos que tenham conseguido atravessar a divisa com o Egito. Apesar disso, fontes políticas citadas pela rádio pública israelense disseram esta manhã que é preciso "começa a se habituar a pensar que no futuro Gaza terá passagens fronteiriças abertas com o Egito". Isso significa que o país poderia ter de substituir Israel como fornecedor de hidrocarbonetos, eletricidade, água potável, matérias-primas, alimentos e remédios a sua população.  De fato, Israel não é obrigado por qualquer acordo formal a prestar esses serviços à Faixa de Gaza. A interrupção dessas remessas e o fechamento de sua fronteira com o território palestino precipitaram a crise.

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