Olmert é interrogado novamente por caso de corrupção

Acusado de suborno, premiê de Israel passa pelo 4.º interrogatório; Tzipi Livni é a favorita para assumir governo

Efe,

01 de agosto de 2008 | 15h40

O primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, passou nesta sexta-feira, 1, pelo quarto interrogatório sobre o caso de corrupção que o obrigou a desistir de concorrer às primárias do partido Kadima, enquanto a ministra de Exteriores, Tzipi Livni, tenta assumir a frente do governo. Pouco antes de a polícia submeter Olmert a mais perguntas sobre as suspeitas de suborno, pesquisas apontavam Livni como favorita para substituí-lo, inclusive se as eleições gerais fossem antecipadas.   Veja também: Oposição pede eleições para substituir premiê israelense Premiê deve deixar o cargo em setembro Saída de Olmert é 'vitória' palestina, diz Hamas   Segundo a imprensa local, que cita fontes ligadas à investigação da qual o primeiro-ministro ainda é alvo, Olmert poderia voltar a ser interrogado nas próximas semanas antes da formalização das acusações.   Caso este outro interrogatório aconteça, será o quinto durante o calvário do chefe de governo, acusado por testemunhas de duplicar faturas e receber milhares de dólares do empresário americano Moris Talansky quando era ministro e prefeito de Jerusalém, nos anos 90.   Após meses negando culpa e resistindo a fortes pressões da oposição, das legendas de maioria governamental e de seu próprio partido, Olmert anunciou na quarta-feira sua renúncia, embora continuasse proclamando inocência.   Consciente da falta de apoio no interior do partido, Olmert disse que abandonará o cargo depois que o Kadima eleger um novo líder nas eleições primárias, que serão realizadas no dia 17 de setembro. O cenário inclui a condição de que o novo líder do Kadima o substitua à frente do Executivo caso a atual maioria governamental se mantenha.   Tal possibilidade foi rejeitada por Benjamin Netanyahu, líder do primeiro partido da oposição, o conservador Likud, que até esta semana liderava as intenções de voto nas pesquisas e exigiu a convocação antecipada das eleições gerais.   Livni favorita   A surpresa aconteceu nesta sexta, quando, horas antes de Olmert ser interrogado de novo pela Polícia, foi divulgada uma pesquisa que coloca Livni como favorita para as primárias do Kadima mesmo antes da convocação eleitoral.   Segundo a pesquisa, realizada pela empresa Dialog para o jornal israelense Haaretz, Livni contaria com intenções de voto de 41%, contra 32% do principal adversário - o ministro dos Transportes, Shaul Mofaz -, para liderar o partido.   Além disso, Livni superaria Netanyahu diante da eventualidade de eleições gerais, cujos resultados concederiam ao Kadima - enquanto o partido for liderado por Livni - 26 cadeiras, frente às 25 do Likud. Outro ponto de discórdia foi a do Partido Trabalhista, liderado pelo atual ministro da Defesa, Ehud Barak, que obteria só 14 cadeiras, mas que desponta como forte candidato.   Embora seja o principal parceiro do Kadima na maioria governamental, o Partido Trabalhista foi muito duro com Olmert pelo escândalo de corrupção do primeiro-ministro, que mantém tensas relações pessoais com Barak. O ministro de Defesa obrigou Olmert a convocar primárias em seu partido sob a ameaça de se retirar do governo - ultimato determinante para que o primeiro-ministro jogasse a toalha.   Livni agora depende do ministro da Defesa para assumir o posto de Olmert na Chefia do Governo - já que tudo indica que ela ganhará - e para as eleições gerais serem antecipadas. De acordo com a última pesquisa eleitoral, o resultado seria o mesmo com o tempo, e o que estaria nas mãos do ministro da Defesa seria o calendário para que seu colega de Exteriores chegue, mais cedo ou mais tarde, ao poder.

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