Olmert espera retomada de negociações sobre Estado palestino

Premiê israelense evita estabelecer durante encontro uma data para a criação do território palestino

ADAM ENTOUS, REUTERS

06 de agosto de 2007 | 13h05

O primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, reuniu-se com o presidente palestino, Mahmoud Abbas, nesta segunda-feira, 6, pela primeira vez na Cisjordânia, e disse-lhe ter esperanças de retomar em breve as negociações sobre a criação de um Estado palestino.  Veja também: Reunião foi "manobra de relações públicas", diz Hamas  Depois de meses de resistência, Olmert aceitou expandir os assuntos discutidos com Abbas a fim de incluir "questões fundamentais" que precisam ser resolvidas em meio ao processo de criação de um Estado palestino e de paz, disseram autoridades norte-americanas e palestinas. Membros do governo israelense não aceitaram descrever a reunião como uma tentativa de tratar das questões que envolvem o status final, entre as quais as fronteiras de um Estado palestino e o futuro de Jerusalém e dos refugiados palestinos, afirmando que os dois líderes buscavam, em vez disso, um acordo sobre "princípios". "Vim até aqui a fim de discutir com o senhor questões fundamentais envolvendo Israel e a Autoridade Palestina, na esperança de que isso nos leve, em breve, a negociações sobre a criação de um Estado palestino", afirmou Olmert, ao lado de Abbas, no começo do encontro realizado em Jericó. "Desejo realizar isso (as negociações sobre a independência palestina) dentro em breve", afirmou o premiê ao presidente palestino segundo um porta-voz de Olmert. O encontro aconteceu antes de uma conferência regional patrocinada pelos EUA e prevista para acontecer em novembro. Ele marca ainda a primeira visita de um premiê israelense a uma cidade da Cisjordânia desde 2000. A conferência regional, segundo autoridades de Israel e do Ocidente, confirmaria os princípios de um eventual acordo de paz e, provavelmente, abriria caminho para que os israelenses e palestinos tratem das questões mais polêmicas, entre as quais os assentamentos judaicos. O governo palestino não se manifestou a respeito do encontro.                                 Concessões Não se sabe com exatidão se Olmert, cujos índices de popularidade despencaram depois do fracasso de Israel na guerra do ano passado no Líbano, conseguiria realizar grandes concessões, especialmente no que diz respeito à retirada de assentamentos judaicos da Cisjordânia. Também não há certeza sobre como Abbas conseguirá selar qualquer acordo enquanto o grupo islâmico Hamas permanecer no controle da Faixa de Gaza. Ismail Haniyeh, primeiro-ministro do governo liderado pelo Hamas e deposto por Abbas depois de o grupo ter expulsado as forças da Fatah da Faixa de Gaza, em junho, descreveu o encontro de Jericó como uma jogada de marketing incapaz de obter quaisquer resultados concretos. Em busca de apoio árabe para conter a onda de violência no Iraque e enfrentar o programa nuclear do Irã, a secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice, pressiona para que haja avanços na questão palestina antes de terminar o governo do presidente norte-americano, George W. Bush, no começo de 2009.

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