Olmert ordena conclusão da barreira em Jerusalém até 2010

Israel deve completar antes de 2010 a sua barreira em torno de Jerusalém, disse o primeiro-ministro Ehud Olmert na terça-feira. Os palestinos dizem que esse projeto é um grave empecilho ao processo de paz. Dos 790 quilômetros de cercas e muros na fronteira com a Cisjordânia (e dentro do território ocupado, em diversos trechos), uma quinta parte passa em torno de Jerusalém, deixando no lado israelense partes da cidade sagrada que os palestinos pleiteiam como capital de seu eventual Estado. Israel capturou Jerusalém Oriental e a Cisjordânia, que pertenciam à Jordânia, em 1967. Os israelenses consideram que a cidade inteira é a sua capital - embora a comunidade internacional considere que a capital de Israel é Tel Aviv. De acordo com Israel, a barreira serve para impedir que palestinos cometam atentados suicidas em seu território. "A cerca na Grande Jerusalém deve estar completa até o final de 2009. Isso é vital para a segurança de Israel", disse Olmert a representantes do Ministério da Defesa durante visita à obra, na terça-feira, segundo nota divulgada por seu gabinete. Mais de dois terços da barreira em Jerusalém estão concluídos, segundo a nota. Dos trechos restantes, 4,5 quilômetros restantes estão embargados por decisão judicial, atendendo à queixa de palestinos que temiam perder o acesso a suas terras ou aos serviços urbanos. A Corte Mundial em 2004 considerou ilegal a barreira, apontada pelos palestinos como uma forma de confiscar terras. Os EUA consideram que o projeto não contribui com o processo de paz. Israel afirma que o projeto pode ser redirecionado se houver paz. Mas Israel também diz que manterá consigo, em qualquer hipótese, a totalidade de Jerusalém e assentamentos judaicos na Cisjordânia. Olmert está interinamente no cargo até a eleição de 10 de fevereiro, depois de renunciar por suspeitas de corrupção. Nenhum dos candidatos favoritos à sucessão dele - a chanceler centrista Tzipi Livni e o líder oposicionista de direita Benjamin Netanyahu - demonstram intenção de rever o projeto da barreira.

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