Olmert prevê o colapso de Israel sem acordo com palestinos

Premiê diz que povo não apoiará governo que não garante igualdade e reafirma Abbas e Fatah como porta-vozes

Agências internacionais,

29 de novembro de 2007 | 10h19

O primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, disse que, se solução de dois Estados para o conflito israelo-palestino não for alcançada, o próprio Estado israelense se verá ameaçado. A declaração foi feita em entrevista ao jornal israelense Haaretz logo após a conferência de Annapolis com o presidente dos EUA, George W. Bush, e com o presidente palestino, Mahmoud Abbas. Olmert comparou o caso à luta pelos direitos dos negros na África do Sul durante o regime de apartheid (segregação racial), que durou de 1948 a 1990. Segundo o premiê, os árabes também irão pressionar por direitos iguais em Israel se os palestinos não tiverem seu Estado, levando a uma de duas conseqüências: ou Israel concede os direitos e perde a característica de Estado judeu, ou não concede e perde o apoio de judeus da diáspora, sobretudo os americanos, que não aceitariam um Estado não-democrático. De um modo ou de outro, Israel sairia perdendo. Veja também: Entenda a conferência de paz de Annapolis   Cronologia das negociações de paz O porta-voz do Serviço de Prisões de Israel (SPI), Yaron Zamir, anunciou que Israel libertará no próximo domingo 430 presos palestinos como gesto de boa vontade após a realização da cúpula. A grande maioria dos presos pertence ao movimento Fatah, de Abbas, e nenhum cometeu crimes considerados violentos. Abbas disse na quarta-feira que as negociações devem trazer uma "paz completa" e voltou a fazer as velhas exigências palestinas: o fim da ocupação israelense e dos assentamentos e a libertação de prisioneiros. Ele disse ainda que espera que, no futuro, os palestinos possam viver sem postos de checagem, prisões ou muros, e com Jerusalém como capital. O direito de refugiados palestinos retornarem a Israel, a divisão de Jerusalém, as fronteiras entre os dois Estados, a segurança e a divisão da água também são temas que devem ser solucionados. Sobre a conferência em Annapolis, Olmert afirmou que nela foi alcançado mais do que se poderia definir como expectativas israelenses. "Mas isso não nos livra dos obstáculos que encontraremos nas negociações, que serão difíceis e complexas e irão requerer grandes doses de paciência e sofisticação." Nas palavras do premiê, "agora temos um interlocutor", em referência a Abbas. Ameaça do Hamas O movimento extremista islâmico Hamas afirmou em comunicado divulgado nesta quinta-feira, 29, que "a Palestina é um só território geográfico e não se pode partir", ao lembrar os 60 anos da resolução da ONU para a partilha do antigo protetorado britânico na região palestina. Essa resolução propunha a criação de um Estado nacional árabe e outro judeu no território onde atualmente é Israel, a Faixa de Gaza e a Cisjordânia, que era então administrado pelo Reino Unido, o que foi rejeitado pelos palestinos e pelos países árabes. "Essa resolução (número 181 do Conselho de Segurança da ONU) permitiu a partilha das terras da Palestina entre seus residentes (árabes), que foram expulsos à força (por Israel durante a guerra de 1948), e os judeus e sionistas recém-chegados", afirma o Hamas no texto. A tese da expulsão dos árabes é controversa. O movimento islâmico lembra que "o aniversário da partilha coincide com a conferência em Annapolis", e denuncia que "os Estados Unidos quiseram eliminar dessa maneira a causa palestina a fim de completar a conspiração contra nosso povo".  

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.