Olmert prometeu ampliar assentamentos, diz político ortodoxo

Após ter ordenado interrupção das obras, premiê israelense teria prometido novas construções na Cisjordânia

Agência Estado e Associated Press,

14 de maio de 2008 | 14h26

O primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, prometeu construir aproximadamente 600 habitações para judeus em assentamentos na Cisjordânia que são alvo de controvérsia. O anúncio ameaça atrapalhar a visita de três dias do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, ao país. Veja também:Ahmadinejad diz que Israel está perto da 'aniquilação'Bush: democracia em Israel traz otimismo à região Foguete palestino atinge shopping center em Israel  A informação foi divulgada pouco antes da chegada de Bush a Israel para participar das comemorações do 60º aniversário da fundação desse Estado. Além disso, o norte-americano também quer fazer avançar o processo de paz entre israelenses e palestinos. Os palestinos querem toda a Cisjordânia como parte de um futuro Estado. Eles se opõem aos assentamentos judaicos na região, e o impasse atrapalha as negociações de paz. Há atualmente 270 mil israelenses vivendo em assentamentos na Cisjordânia. As novas construções nessas áreas podem ajudar o enfraquecido Olmert a manter unida sua coalizão, enquanto a polícia investiga suspeitas de corrupção contra ele. Mas traria mais dificuldades para o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, convencer seu povo de que a diplomacia, e não a violência, pode lhes garantir um Estado. O anúncio da expansão foi feito por Eli Yishai, do ultra-ortodoxo Partido Shas, membro da coalizão que governa o país. "Eu estou feliz, pois eles aprovarão a construção", disse Yishai à rádio Israel. O plano não foi oficialmente confirmado. Olmert já ordenou a interrupção das obras em novos assentamentos, mas permitiu anteriormente novas construções em áreas nas quais já vivem algumas comunidades, como em Betar Illit. O Partido Shas ameaçou deixar a coalizão - o que custaria a perda da maioria no Parlamento para Olmert - caso o líder israelense faça grandes concessões territoriais aos palestinos. Esse último gesto pode manter a sigla ao lado do primeiro-ministro, enquanto ele tenta sobreviver politicamente. Olmert é alvo de algumas investigações, entre elas uma em que é acusado de receber propina de um empresário norte-americano. Ele reconheceu ter aceitado doações de campanha, mas negou ter praticado irregularidades. O primeiro-ministro já anunciou que renunciará, caso seja indiciado. Violência Além disso, a violência entre israelenses e palestinos continua. Dois civis palestinos e três militantes foram mortos nesta quarta-feira, durante incursão das forças militares israelenses na Faixa de Gaza. A informação foi divulgada por funcionários de saúde palestinos. Eles confirmaram que uma das vítimas era um adolescente de 17 anos, que andava de bicicleta. Tropas de Israel realizaram uma ofensiva no sul de Gaza contra rebeldes que lançam foguetes em território israelense. Dois militantes morreram em um ataque aéreo na cidade de Khan Younis e, horas depois, o jovem, outro civil e um militante morreram baleados no norte da Faixa de Gaza. Os incidentes ocorreram horas antes da chegada de Bush a Israel. Aprovação popular Também nesta quarta-feira, uma pesquisa realizada pela empresa Nader Said revelou que a aprovação de Abbas na Cisjordânia caiu 13 pontos percentuais desde janeiro. Os palestinos estão frustrados com o impasse no processo de paz e com os crescentes problemas econômicos. O mandato presidencial de Abbas termina formalmente em janeiro. Porém, é improvável que haja eleições em breve para o cargo por causa do instável clima político atual. O grupo islâmico Hamas tomou o poder à força na Faixa de Gaza há quase um ano, e Abbas, do laico Fatah, afirma que não negocia com o Hamas até eles cederam o poder na região. O Fatah atualmente controla apenas a Cisjordânia. Segundo a pesquisa, o Fatah venceria nas eleições parlamentares com 47%, uma queda em relação aos 53% registrados em janeiro. O Hamas ficaria em segundo, com 37%, índice superior aos 32% do início do ano. Apenas 20% dos consultados consideram que o primeiro-ministro palestino, Salam Fayyad, está fazendo um bom trabalho. Em janeiro, esse índice era de 31%.  Na corrida presidencial, o líder militante e atualmente prisioneiro Marwan Barghuti, ex-líder do Fatah, venceria com 47%. Em uma disputa entre o líder do Hamas, Ismail Haniyeh, e Abbas, do Fatah, há um empate técnico. Haniyeh aparece com 34%, e Abbas com 32%. A margem de erro da pesquisa é de três pontos percentuais para mais ou para menos.

Tudo o que sabemos sobre:
IsraelPalestinaassentamentos

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.