Olmert recebe relatório sobre erros na Guerra do Líbano

Documento deve responsabilizar premiê e ameaçar mandato e negociações de paz com palestinos

Efe e Associated Press,

30 de janeiro de 2008 | 07h42

Quase dezoito meses após a inclusiva guerra de Israel contra o grupo xiita Hezbollah no Líbano, o campo de batalha continua a confrontar o primeiro-ministro israelense Ehud Olmert. O premiê e o titular da Defesa, Ehud Barak, receberão nesta quarta-feira, 30, pouco antes que se torne público em entrevista coletiva, o relatório da denominada Comissão Winograd, que investigou os erros na condução do conflito no Líbano em 2006. As conclusões poderão ter profundas implicações para Olmert - bem como para seus atuais esforços em fazer as pazes com os palestinos. Com a pressão e o apoio dos Estados Unidos, Olmert e os palestinos esperam chegar a um acordo final de paz até o final deste ano. Mas ao depender do relatório que será publicado pela Comissão, o governo Olmert poderá não sobreviver o suficiente ou ter forças para chegar a esse ambicioso objetivo. Os analistas da comissão entregarão ao chefe do governo israelense uma cópia do documento, que deve ser crítico em relação à condução do conflito, às 17h (12h de Brasília), uma hora antes de ser divulgado publicamente no Centro de Exposições e Congressos de Jerusalém. No comparecimento à imprensa, o juiz que lidera o painel, Eliyahu Winograd, apresentará um sumário do relatório e os métodos utilizados pelos investigadores. Cerca de 300 jornalistas estrangeiros se credenciaram para participar da conferência, mas a imprensa local adverte que as perguntas não serão autorizadas. Em um relatório preliminar de maio do ano passado, a comissão responsabilizou Olmert, o então titular da Defesa, Amir Peretz, e o chefe das Forças Armadas, Dan Halutz, pela maneira como o conflito no Líbano foi conduzido. Após a divulgação do relatório preliminar, a ministra de Assuntos Exteriores israelense, Tzipi Livni, chegou a sugerir a renúncia do primeiro-ministro. Olmert tem dito várias vezes que não renunciará após a publicação do relatório. Segundo conselheiros do premiê, ele rejeitou uma proposta recente feita pelo Partido Trabalhista de antecipar as eleições para o início de 2009. Os dois mais importantes estrategistas militares israelenses da Guerra do Líbano de 2006, o general Dan Halutz e o ex-ministro da Defesa Amir Peretz, já deixaram seus cargos. Durante o conflito do Líbano caíram sobre o norte de Israel cerca de quatro mil foguetes da milícia xiita libanesa Hezbollah, e a vasta operação militar israelense por terra, mar e ar não conseguiu deter os ataques. O conflito durou 34 dias e terminou com um acordo de cessar-fogo alcançado com a mediação da ONU e o desdobramento de milhares de tropas internacionais no sul do Líbano. Olmert decidiu ir à guerra com apoio total do povo israelense, mas viu sua popularidade despencar após a agressão militar ter falhado em seus dois principais objetivos - libertar os soldados capturados e esmagar o Hezbollah.

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