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Olmert se declara inocente em julgamento por corrupção

Ex-premiê israelense é o 1º da história a responder na Justiça por fraude, falsificação e sonegação de impostos

Efe e Reuters,

25 de setembro de 2009 | 08h36

O ex-primeiro-ministro israelense Ehud Olmert se declarou inocente no início de seu julgamento por várias acusações de corrupção. Ele responde a um processo por fraude, quebra de confiança e sonegação de impostos, alegações que o forçaram a se demitir no ano passado. Esta é a primeira ocasião na história de Israel que um ex-chefe de governo é julgado por práticas de corrupção.

 

"Chegou o momento dos fatos. Cheguei aqui como um homem inocente e assim será como me vá", disse Olmert na manhã desta sexta-feira, 25, em sua chegada aos tribunais, informa o diário israelense Yedioth Ahronoth em sua versão digital. O ex-chefe do governo admitiu que a posição em que se encontra "não é fácil" e denunciou que durante os três últimos anos foi objeto de "uma campanha praticamente desumana de difamações e investigações" e que "pagou um alto preço", em referência a sua renúncia há um ano devido aos diversos escândalos de corrupção.

 

A Procuradoria Geral do Estado acusou em 30 de agosto a Olmert por três supostas tramas de corrupção nas quais teria cometido os delitos de fraude, ruptura da confiança, falsificação de documentos corporativos, evasão de impostos e obtenção fraudulenta de benefícios.

 

Um é o denominado "Caso dos Envelopes ", no qual se lhe acusa de haver recebido centenas de milhares de dólares do empresário americano Morris Talanksy para financiar as atividades de seu partido (o Kadima) entre os anos 1993 e 2006, quando Olmert era prefeito de Jerusalém e, posteriormente, ministro do Comércio, Indústria e Trabalho.

 

Outros dois escândalos são os conhecidos como "Rishon Tours" e "Centro de Investimentos". No primeiro, a Promotoria acusa a Olmert de haver apresentado faturas duplicadas e triplicadas a diferentes organismos e instituições pelas despesas de deslocamentos ao estrangeiro realizados entre 1993 e 2003 por meio de uma agência de viagens. No segundo, a Promotoria entende que o ex-primeiro-ministro teria concedido favores e beneficiado desde seu cargo a um ex-sócio em um escritório de advogados, Uri Meser.

 

A ex-assistente pessoal e chefe de birô de Olmert, Shula Zaken, também compareceu perante a Corte, na qual terá que responder aos delitos de fraude, falsificação de documentos e escutas ilegais e relação com o "caso dos envelopes " e "Rishon Tours". Olmert, substituído à frente do Executivo o março passado por Benjamin Netanyahu, reiterou sempre sua inocência perante todas as acusações.

 

Especialistas dizem que, se for considerado culpado, ele poderá receber uma pena de até cinco anos de prisão por cada uma das quatro acusações. Olmert pediu demissão do cargo de primeiro-ministro em setembro de 2008 dizendo querer limpar seu nome, mas continuou no assento até março de 2009, quando Benjamin Netanyahu assumiu a posição.

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