Mohammad Sajjad/ AP
Mohammad Sajjad/ AP

Onda de ataques prossegue no Paquistão e mata mais 11 pessoas

Carro-bomba explode em mesquita próxima a delegacia de polícia em Peshawar, na fronteira com o Afeganistão

Hélio Barboza, da Agência Estado,

16 de outubro de 2009 | 06h43

A série de atentados iniciada há 11 dias no Paquistão prosseguiu nesta sexta-feira, 16, com 11 mortos pela explosão de um carro-bomba numa mesquita próxima a uma delegacia de polícia em Peshawar, a maior cidade do noroeste do país, na fronteira com o Afeganistão. Não houve reivindicação imediata de responsabilidade pelo atentado, mas as suspeitas recaem sobre o Taleban, acusado pela onda de ataques que já deixou 150 mortos e parece ter como objetivo forçar o governo a abandonar os planos de uma ofensiva militar contra o reduto dos militantes na fronteira com o Afeganistão.

 

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Em Peshawar, nesta sexta-feira, o terrorista dirigiu um veículo carregado de explosivos contra a parede da mesquita e detonou a bomba, danificando seriamente tanto o edifício religioso como a delegacia vizinha. Ainda não se sabe qual era o alvo do atentado. A delegacia de polícia estava fortemente vigiada e cercada por barricadas, o que tornava praticamente impossível um ataque direto contra o prédio.

 

As imagens da TV mostraram que a parte de cima da parede da mesquita desmoronou. Uma massa de metal retorcido estava em chamas. Além dos 11 mortos, incluindo duas mulheres e um estudante, a ação deixou mais de dez feridos, de acordo com um funcionário do governo.

 

Na quinta-feira, uma série de cinco atentados coordenados em três cidades paquistanesas deixou 40 mortos - 28 deles na capital cultural do país Lahore - no momento em que as Forças Armadas preparam uma nova ofensiva contra a milícia islâmica do Taleban que atua na fronteira com o Afeganistão. Desde o início da onda de ataques do Taleban, há 11 dias, o Paquistão registrou 8 atentados.

 

Ações coordenadas

 

Na ação mais violenta de quinta-feira, a sede da Agência Federal de Investigação (FIA, na sigla em inglês) e duas academias de política de Lahore foram atacadas por homens armados com fuzis e granadas. Metade dos 28 mortos na ação era policiais e militares; outros 10 eram rebeldes. Parentes de algumas das vítimas foram feitos reféns num anexo residencial do campus, próximo aos edifícios da polícia. O mesmo complexo já tinha sido alvo de um ataque semelhante em março.

Numa ação quase simultânea, um carro-bomba foi detonado por um terrorista, matando outros três policiais e sete civis numa delegacia de Kohat, no noroeste do Paquistão. O autor do atentado também morreu na explosão. Um segundo ataque em Pshawar matou uma criança e num complexo habitacional onde vivem funcionários do governo.

 

Com os ataques de quinta-feira, o número de mortos em atentados terroristas no Paquistão nas duas últimas semanas chega a 150, incluindo uma ousada operação, no sábado, contra o quartel de Rawalpindi - conhecido como o ''Pentágono, paquistanês'' -, que deixou 20 mortos. Dois dias depois um comboio militar foi atacado por rebeldes no Vale do Swat, deixando 41 mortos.

 

Além da polícia e das Forças Armadas, um edifício das Nações Unidas em Islamabad também foi alvo de um atentado suicida, no dia 5, quando cinco funcionários da organização morreram no local.

A nova onda de violência coincide com a ofensiva militar preparada pelo Exército paquistanês contra redutos taleban no Wairistão do Sul, na fronteira com o Afeganistão, e põe em dúvida a real capacidade do governo local de frustrar a ação de grupos terroristas. As ações ocorreram no mesmo dia que o presidente americano Barack Obama, autorizou a liberação de US$ 7,5 bilhões em ajuda para o governo paquistanês.

 

Texto atualizado às 8h 

 

(com Reuters e Associated Press)

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