Onda de atentados deixa ao menos 30 mortos no Iraque

Violência é em grande parte causada pela condenação de colaboradores do regime de Saddam

Agencia Estado

25 Junho 2007 | 16h09

A violência voltou a assolar nesta segunda-feira, 25, o Iraque com uma nova onda de atentados suicidas cometidos em diferentes locais do país, incluindo um hotel de Bagdá, que deixaram mais de 45 mortos e pelo menos 50 feridos. Os ataques são uma reação à condenação de pena de morte de três altos colaboradores do antigo regime de Saddam Hussein, entre eles "Ali Químico". Uma delegacia de Polícia na cidade de Baiji, o hotel Al-Mansour em Bagdá, um centro de recrutamento de Polícia na cidade de Hilla e uma base aérea americana foram alvo dos atentados desta segunda-feira. O atentado mais violento foi cometido contra uma delegacia de Polícia na cidade de Baiji, 180 quilômetros ao norte de Bagdá, e deixou 13 mortos e 21 feridos. O ataque aconteceu às 9h30 (2h30 de Brasília), em plena hora do rush, quando dois carros-bomba foram detonados. Fontes da Polícia iraquiana disseram que este atentado foi cometido pouco depois de soldados dos EUA entrarem no edifício. Os feridos foram levados para hospitais da província, enquanto os bombeiros tentam apagar o grande incêndio causado pelo atentado. Um civil que tentaram ajudar nos trabalhos de resgate foi morto a tiros pelos soldados americanos, que o confundiram com um terrorista, segundo as fontes. Helicópteros das forças americanas sobrevoaram o local do atentado e dispararam pelo menos cinco projéteis. Ao mesmo tempo, também em Baiji, cerca de dez insurgentes atacaram pelas ruas da cidade com lança-foguetes RPG e fuzis um comboio das tropas americanas, informaram fontes policiais iraquianas. Além destes ataques, um suicida lançou seu carro-bomba contra um posto de controle do Exército iraquiano, na entrada de uma base aérea americano perto de Baiji, matando pelo menos dois soldados iraquianos e ferindo outros três. Outras oito pessoas morreram e cerca de 31 ficaram feridas em um quarto atentado suicida com carro-bomba, cometido contra um centro de recrutamento na cidade de Hilla, capital da província xiita de Babel, 100 quilômetros ao sul de Bagdá. Policiais estão entre as vítimas fatais deste atentado, enquanto as outras eram homens que estavam na fila para se alistar na Polícia. O quinto atentado ocorreu com a explosão de um carro-bomba na cidade de Mosul, matando um civil e ferindo outros 20. Explosão em Hotel Em outro ataque, um terrorista suicida causou a morte de pelo menos 12 pessoas, além de ter deixado 21 feridos, ao detonar sua carga explosiva no hotel Al-Mansour de Bagdá, informaram fontes policiais iraquianas. Entre as vítimas, está o líder tribal sunita Safal al-Goud, membro do Conselho de Clãs para a Salvação de Al-Anbar, que reúne vários clãs sunitas governistas e que estão combatendo com suas próprias milícias os grupos "jihadistas". Além disso, entre os mortos está o conhecido apresentador da televisão iraquiana Karim al-Maliki, da rede governamental Al Iraqiya. Segundo as fontes, o suicida detonou a carga explosiva que levava na entrada do hotel Al-Mansour, que é sede de várias delegações da imprensa internacional e árabe. Uma testemunha disse que há "muitos danos materiais no segundo andar do hotel", e que as equipes de resgate estavam procurando sobreviventes entre os escombros. Pena de morte Fontes policiais não descartam que estes ataques estejam ligadoss ou sejam uma vingança devido às penas de morte ditadas no domingo pelo Tribunal Especial em Bagdá contra três altos funcionários do deposto regime de Saddam Hussein, entre eles Ali Hassan al-Majid, conhecido como "Ali Químico" e primo do primeiro. Os três condenados à forca - "Ali Químico, o ex-ministro da Defesa, Sultão Hashim Ahmed, e o ex-chefe da Guarda Republicana, Hussein Rachid al-Tikriti - foram considerados culpados no caso Anfal e responsabilizados pela morte de quase 180.000 curdos iraquianos entre 1987 e 1988. Matéria ampliada às 09h36.

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