Onda de sequestros assusta na véspera de eleições no Afeganistão

Candidato ao Parlamento está entre vítimas; reforço de segurança não inibe crimes

Reuters

17 de setembro de 2010 | 09h10

CABUL - Um candidato ao Parlamento estava entre as 19 pessoas que foram sequestradas no Afeganistão, informaram autoridades eleitorais nesta sexta-feira, 17. Os incidentes ocorreram na véspera da votação parlamentar que o Taleban prometeu não perturbar, trazendo um começo pessimista para as eleições, apesar do reforço da segurança.

Segundo o porta-voz da Comissão Eleitoral Independente (CEI) do Afeganistão, Noor Mohammad Noor, um candidato foi sequestrado na província de Lagham, no leste do país, mas as circunstâncias ainda não estavam claras. Segundo ele, oito autoridades do IEC que teriam sido sequestradas em Baghis já se encontravam em local seguro.

Autoridades estavam confirmando informações de que dez cabos eleitorais também haviam sido sequestrados pelo Taleban na mesma região, disse Noor.

A onda de sequestros ocorreu apesar do aumento da segurança no país antes das eleições, que serão um teste importante depois de a eleição presidencial do ano passado ter sido marcada por muitas falhas.

As ruas da capital afegã, Cabul, estavam em grande parte tranquilas. Postos de controle foram estabelecidos para parar e vasculhar automóveis, numa tentativa de prevenir contra ataques.

"Estou feliz e pronto para participar das eleições de amanhã, para escolher nosso futuro", disse Abdul Qahir, de 31 anos e dono de uma construtora, depois de passar em um posto de controle. "É importante votar. Precisamos eleger boas pessoas, não comandantes de guerra", disse ele à Reuters.

Quase 300 mil soldados e policiais afegãos estarão em alerta durante as eleições, com o apoio de quase 150 mil soldados estrangeiros. Na quinta-feira o Taleban renovou sua ameaça de atacar alvos estrangeiros e afegãos e pediu que os eleitores fiquem em casa.

O governo dos EUA está observando de perto os acontecimentos antes da revisão da estratégia de guerra do presidente americano Barack Obama, prevista para dezembro. O governo Obama vai reexaminar o ritmo e a escala da retirada de tropas norte-americanas.

O secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates, disse em Washington durante a noite que a atual estratégia parecia estar funcionando, mas alertou que um progresso permanente poderia demorar meses. A maior preocupação é que ataques ou ameaças de violência por parte do Taleban afastem eleitores das urnas, como ocorreu no ano passado.

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