ONG de Israel acusa Exército de não investigar mortes de civis palestinos

Segundo B'Tselem, soldados mataram 617 civis nos últimos quatro anos, mas nenhum foi acusado

AP,

14 de setembro de 2010 | 18h16

JERUSALÉM- Um relatório de uma organização de direitos humanos israelense acusou nesta terça-feira, 14, o exército do país de ter falhado em investigar adequadamente casos em que soldados de Israel mataram civis palestinos.

 

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Segundo o documento do B'Tselem, nos últimos quatro anos, soldados mataram 1.510 palestinos, incluindo 617 civis, mas nenhum militar foi acusado. A cifra não inclui civis mortos durante a ofensiva militar na Faixa de Gaza no fim de 2008 e começo de 2009.

 

O grupo define civis como pessoas que não estavam participando da violência ou que não faziam parte de grupos militantes islâmicos. Para Israel, no entanto, essa definição é incorreta, pois muitos palestinos envolvidos em ações violentas se vestem como civis ou fazem ataques em áreas residenciais, colocando civis em risco.

 

O B'Tselem pediu que o Exército israelense investigue 148 casos envolvendo a morte de 288 civis palestinos, mas poucos arquivos foram abertos, de acordo com o relatório. Cerca de 230 mortes ocorreram em Gaza, uma área populosa.

 

Ainda de acordo com o estudo, com a erupção de uma rebelião palestina em 2000, Israel a classificou como um "conflito armado", definindo a maioria das atividades como legitimamente militares. O Exército também parou automaticamente de investigar baixas civis.

 

A diretora do B'Tselem, Jessica Montell, acredita que a situação deveria ser vista como uma ocupação militar. Sob essa classificação, é mais fácil prosseguir com investigações pois soldados não têm imunidade para legitimar quaisquer de suas ações como legitimamente militares.

 

Em resposta ao relatório, o Exército de Israel afirmou hoje que suspeitas de mau comportamento nas zonas de combate são investigadas primeiro pela unidade militar, e seguem para um tribunal apenas se provadas, explicando porquê muitos casos não foram investigados pelo sistema judicial militar.

 

Ainda de acordo com o comunicado do Exército, o status da Cisjordânia como zona de combate está sendo avaliado na Corte Suprema.

 

Desde 2000, mais de 6.300 palestinos e 1.100 israelenses morreram em confrontos e ataques.

 

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