ONG denuncia anexação de terras palestinas por Israel

Segundo denúncia, tomada de território acontece ao leste da barreira que o país constrói desde 2002

Efe,

11 de setembro de 2008 | 02h50

A ONG israelense Btselem denunciou nesta quinta-feira, 11, em um relatório a anexação "de fato" pelas autoridades israelenses e colonos judeus de milhares de hectares de terras palestinas na Cisjordânia. Veja também:Israel adia discussões sobre colônias judaicasOlmert propõe indenizações para colonos judeus na Cisjordânia Esta anexação, que se dá ao leste da barreira de cercas e concreto que Israel constrói desde 2002, se efetua principalmente de duas formas. A primeira consiste em que "colonos e, em algumas ocasiões membros das forças de segurança israelenses, atacam violentamente e acossam os palestinos que se arriscam a passar perto dos assentamentos", diz a ONG em comunicado. O segundo "modus operandi" mais comum é a construção em torno das terras de cercas e outras barreiras físicas ou eletrônicas que fecham a passagem aos palestinos. "Em muitos casos, as autoridades fazem a vista grossa no fechamento sem licença de terras, descumprindo sistematicamente seu dever de impor a lei a colonos que cometem delitos", acrescenta a Btselem. Israel começou a formalizar esta prática nos últimos anos ao decretar a região anexada "área especial de segurança" que protege os colonos de agressões palestinas. Assim, ao delimitar a área de 12 assentamentos ao leste do muro de separação, foram anexados mais de 450 hectares, das quais a metade são propriedade privada palestina. A Btselem adverte, no entanto, que "a quantidade total de terras anexadas aos assentamentos só pode ser estimada de forma aproximada, pois a maioria destas ações não foi documentada ou oficialmente sancionada". As principais vítimas desta situação são os granjeiros palestinos, "que enfrentam obstáculos burocráticos quase inacessíveis quando tentam ter acesso a suas terras e, como resultado, muitos se vêem forçados a deixar de cultivá-las", acrescenta. Israel justifica estas áreas em torno dos assentamentos pela necessidade de proteger seus habitantes e põe como exemplo a notável redução de ataques contra colonos em relação aos anos mais sangrentos da Segunda Intifada, iniciada em 2000. A Btselem refuta esse argumento ao ressaltar que alguns colonos receberam a permissão das autoridades israelenses para aceder a essas regiões de proteção e inclusive vivem nelas. Por último, a ONG enfatiza que "a única forma legal de proteger os colonos é evacuá-los e levá-los de volta a Israel", em vez de "trabalhar para perpetuar" sua presença na Cisjordânia.

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