ONU admite melhora de direitos humanos no Iraque

No entanto, organização faz ressalvas e diz que ainda 'há muito a fazer' na situação do detidos e minoria do país

EFE

15 de março de 2008 | 15h52

O respeito aos direitos humanos no Iraque melhorou, segundo um relatório da missão da ONU no país, mas ainda há muito a fazer na situação dos detidos, da violência contra amulher e na proteção das minorias. O relatório da Missão Assistencial das Nações Unidas para oIraque (Unami, em inglês), de 36 páginas, analisa o período de julho e dezembro do ano passado, assim que começaram a ser sentidos os efeitos do "plano de segurança" aplicado pela força multinacional em colaboração com o Exército e a Polícia iraquianos.   "Os últimos três meses de 2007 foram marcados por uma forte queda nos ataques violentos", reconhece o relatório em sua primeira frase, mas acrescenta que, apesar dos progressos serem evidentes em Bagdá e outras províncias, as coisas seguem piorando nas províncias de Mossul (norte) e Diyala (leste).   Os primeiros culpados da situação são os grupos armados: "Insurgentes sunitas e xiitas tomam os civis como alvo deliberado por meio de atentados suicidas, carros-bomba e outros ataques, o que equivale a crimes contra a humanidade", afirma. Estas ações fizeram com que atualmente 4,4 milhões de iraquianos tenham sido deslocados de seus lares, segundo o cálculo da agência da ONU para os refugiados que cita o relatório: 1,9 milhão estão exilados e os 2,5 milhões restantes são refugiados dentro de seu próprio país.   Uma das situações mais preocupantes é a da população reclusa, seja em prisões do estado ou do Governo curdo, em delegacias de Polícia ou em centros de detenção diretamente administrados pelo Exército americano.   Em todos esses casos, os abusos são os mesmos: longo tempo de detenção sem julgamento, difícil acesso dos advogados de defesa e de organizações humanitárias aos detidos, suspeitas de torturas não-averiguadas e excessivo número de reclusos menores de idade.   As forças multinacionais lideradas pelos EUA também são criticadas por seus ataques indiscriminados que levaram à morte de pelo menos 160 civis entre julho e dezembro, o que é justificado pelos americanos pelo fato de os insurgentes se esconderem deliberadamente entre a população civil, pondo-a em risco.   O caso das mulheres é especialmente preocupante: além dos ataques freqüentes contra a população civil, sofrem cada vez mais dos chamados "crimes de honra", nos quais a mulher é castigada por ter "manchado a honra da família", como o adultério e os trajes considerados indecentes, a chamada "conduta não islâmica".   Para o relatório, esse tipo de castigo tem a ver com os vários casos de mulheres internadas nos hospitais com queimaduras - 249 em seis meses só no hospital de Dohuk.

Tudo o que sabemos sobre:
ONUdireitos humanosIraque

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.